Saúde e Educação de Cuba: uma análise baseada em fatos
O Sistema de Saúde Cubano
A tese que pretendo provar é a de que a propalada excelência do sistema de saúde cubano não tem sustentabilidade nos fatos. O que iremos mostrar é que o sistema de saúde cubano apresenta resultados ligeiramente inferiores a de outros países da América Latina, como Argentina, Chile e Costa Rica.
Mostraremos, também, que o sistema de Educação cubano não é aprovado pelos sistemas de avaliação internacionais da UNESCO.
Para corroborar minha tese, fundamentarei minha análise com dados de Intituições Internacionais, como Organização Mundial de Saúde e UNESCO.
Preliminarmente, vamos aos dados da Organização Mundial de Saúde:
Investimento em Saúde – percapita
Investimento por habitante com Saúde em Cuba : US$ 251,00 / habitante (http://www.who.int/countries/cub/en/)
Investimento por habitante com Saúde no Brasil : US$ 597,00 / habitante (http://www.who.int/countries/bra/en/)
Investimento por habitante com Saúde nos EUA : US$ 5,700 / habitante http://www.who.int/countries/usa/en/
Esses dados nos mostram que mostra que: o Brasil gasta o dobro por habitante em Saúde que Cuba; os EUA gastam 10 vezes mais que o Brasil, e 20 vezes mais por habitante que Cuba.
Gasto em Saúde como proporção do PIB
http://www3.who.int/whosis/country/compare.cfm?country=BRA&indicator=TotEOHPctOfGDP&language=english
EUA – 15,2% / Canadá – 9,9% / Argentina – 8,9% / Brasil – 7,6%
Como pode se verificar, o desempenho de Cuba, neste indicador, é inferior ao El Salvador, Suriname, Uruguay, Argentina, Brasil, Colômbia, Panamá, Haiti e Costa Rica, com 7,3% do PIB de dispêndio em Saúde Pública.
Comparação Expectativa de Vida
Expectativa de Vida ao nascimento
Cuba 80 / 75 67,1 / 69,5
Costa Rica 80 /75 65,2 / 69,3
Argentina 78 / 71 62,7 / 68,1
Chile 81 / 74 64,9 / 69,7
Fonte : OMS
Cuba http://www.who.int/countries/cub/en/
Costa Rica http://www.who.int/countries/cri/en/
Argentina //www.who.int/countries/arg/en/
Chile http://www.who.int/countries/chl/en/
Conclusão: Cuba não é o melhor sistema de Saúde da América Latina. Seus indicadores são similares aos de muitos outros países da própria América Latina. Em determinados aspectos, como, por exemplo, investimento percapita de saúde, seus resultados são inferiores aos apresentados pelo Brasil.
Chile, Argentina, Costa Rica e Brasil apresentam indicadores melhores que os cubanos
Cuba é um país que historicamente apresentava bons indicadores de Saúde e Educação. Essa tradição de bons indicadores são muito anteriores à tomada do poder na Revolução, o que torna curioso o fato de usarem tais indicadores como mérito da revolução de Fidel Castro.
Um aspecto adicional que precisa ser avaliado é que, com o advento da revolução, e o alinhamento de Cuba ao bloco soviético, Cuba passou a receber um subsídio de aproximadamente US$ 2 milhões de dólares por dia da extinta União Soviética, o que correspondia a aproximadamente U$ 1 bilhão de dólares por ano. O governo cubano usou tais recursos para manter os bons indicadores de Saúde e Educação cubanos, mas, sobretudo, para financiar intervenções militares em outros países da América Latina (Bolívia) e África (Congo). Cuba, hoje, é um país agrário, e questiona-se se não teria sido melhor para a população cubana se o governo cubano tivesse usado tais recursos para criar um parque industrial. Está claro que se Cuba fosse um regime democrático, no qual o povo tivesse voz e participasse das decisões coletivas, seria muito difícil usar os limitados recursos de um país para patrocinar guerrilhas e guerras em outros, pois a população provavelmente optaria por aplicar tais recursos na melhoria de sua própria qualidade de vida, ao invés de usar para produzir guerras e guerrilhas em outros países.
Diante disso, é importante ressaltar que os demais países da América Latina, sobretudo Chile e Argentina, não tiveram esse tipo de auxílio da ex-URSS e mesmo assim lograram êxito em obter indicadores de Saúde e Educação melhores que os cubanos, mesmo com populações que crescem constantemente, ao contrário de Cuba, que exportou quase 30% da população para os Estados Unidos da América. Esses quase 3 milhões de cubanos que vivem nos EUA usam os sistemas de saúde e educação dos EUA, e não de Cuba, além de contribuirem com envio de recursos à seus familiares.
Cuba: subsídios de outros países
Cuba é um país que consegue sobreviver apenas quando existe algum tipo de subsídio de outros países. Inicialmente Cuba viveu de subsídios mensais da ex-URSS. Atualmente, quem subsidia o estado cubano é o petróleo da Venezuela, tendo em vista que Hugo Chavez fornece 100 mil barris de petróleo diários, a preços altamente subsidiados, ao governo cubano.
Fidel Castro, ditador de Cuba, é um homem acostumado ao poder, pois é oriundo da aristocracia rural cubana. Em seu reinado de 50 anos à frente do poder em Cuba não conseguiu fazer com que seu país, antes uma potência econômica e social, produza bens para a população, mas especializou-se na produção de produtos elitistas e comprados por mega-empresários, como os charutos HAVANA, e os hotéis de luxo em Varadero, praia na qual os cubanos nativos não podem entrar.
Dados da UNESCO
Costa Rica – expectativa média de vida – 79 (http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=1880)
Cuba – expectativa média de vida – 77 (http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=1920)
Fertilidade : Cuba 1,6 filhos / mulher
Costa Rica : 2,6% das crianças em idade escolar fora da escola
Cuba – 3% das crianças em idade escolar fora da escola
Costa Rica – ZERO% das crianças em idade escolar fora da escola
Brasil – 3% das crianças em idade escolar fora da escola
Argentina – 1% das crianças em idade escolar fora da escola
(http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=320)
Chile – ZERO % das crianças em idade escolar fora da escola
(http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=1520)
Educação em Cuba: indicadores não são favoráveis
Desempenho dos alunos cubanos no TIMSS
O teste quadri-anual que feito pela UNESCO chama-se TIMSS, e os alunos cubanos não conseguiram classificação para entrar no ranking. Os campeões nesses rankings são Cingapura, Coréia, República Checa , Japão, Bulgária, Eslovênia, Bélgica, Áustria, Hungria, Países Baixos, Inglaterra, República Eslovaca, Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá, Irlanda, Tailândia, Suécia.
Cuba nem aparece no ranking do teste da UNESCO
Diante do fato de que os alunos não conseguem passar nas preliminares das provas da UNESCO, pode-se concluir que o sistema de educação de Cuba está em nível muito inferior ao dos demais países da América Latina.
http://isc.bc.edu/PDF/t03_download/T03_M_Chap2.pdf http://isc.bc.edu/timss2003i/intl_reports.html http://www.timss.org/ http://www.who.int/whr/2006/annex/06_annex2_en.pdf
Evolução dos dispêndios em Saúde como proporção do PIB
Os seguintes percentuais de gasto em Saúde como proporção do PIB: Gastos totais em Saúde como proporção do PIB
1999 2000 2001 2002 2003
Cuba 6,9 7 7,1 7,2 7,3
Costa Rica 6 6,3 6,8 7,2 7,3
Argentina 9,1 8,9 9,5 8,6 8,9
Brasil 7 ,8 7,7 7,8 7,7 7,6
Grã-Bretanha 7,2 7,3 7,5 7,7 8
EUA 13,1 13,3 14 14,7 15,2
Portanto, como podemos verificar pelos dados acima, Cuba investe, como proporção do PIB, valores similares aos demais países em seu sistema de Saúde.
Socialismo: ineficiência econômica cobra seu preço dos mais pobres
O sistema socialista é caracterizado por sua tradicional ineficiência econômica, o que ficará claro ao longo deste artigo. Se analisarmos a situação cubana em seu todo, verificamos que Cuba consegue obter resultados em Saúde quase tão bons quanto os de países como Chile, Argentina e Costa Rica. Entretanto, tais resultados são os únicos indicadores favoráveis da Ilha. Entretanto, a quantidade de pessoas que precisam ser alocados em tais sistemas é enorme – em média 5 vezes maiores que a comparação com outras nações da América Latina.
Esse é um exemplo emblemático da ineficiência do sistema cubano: para conseguir resultadores piores que o de outros países, precisa empregar 5 vezes mais recursos humanos.
Qual o resultado disso na prática: os salários são muito baixos (médicos ganham em média R$ 40,00/mês) e a população fica submetida a racionamentos de produtos básicos, como papel higiênico, produtos de higiênie pessoal, alimentos, carnes e leite, que são racionados por meio da ”livreta de racionamento“.
O fenômeno do racionamento e da escassez generalizada ocorre em Cuba pois o sistema precisa de 5 vezes mais pessoas para produzir as mesmas coisas que um país capitalista. Ou seja, no capitalismo, a mesma população produz mais alimentos, mais serviços de Saúde, mais serviços de Educação, com os mesmos recursos, pois as pessoas estão inseridas em um sistema de produção livre e mais eficiente.
Além disso, poderíamos aludir as razões pelas quais gasta-se tão pouco em Cuba com saúde da população: um médico cubano ganha em torno de US$ 200 dólares por ano. Um inglês em torno de US$ 100 mil dólares! Um americano mais ou menos isso, em início de carreira. Um brasileiro ou argentino em torno de US$ 50 mil dólares / ano.
Médicos cubanos são dispõem de equipamentos modernos como sistemas de tomografia computadorizado, como os disponíveis para os ingleses, americanos, brasileiros e argentinos em seus hospitais públicos.
Ademais, produtos básicos são negados negadas aos cubanos pobres, como aspirinas, analgésicos, anti-bióticos. A não oferta de tais produtos para o povo cubano é um dos meios para se reduzir os dispêndios no sistema de Saúde.
Fidel Castro : um dos homens mais ricos do mundo
Outra questão que pode ser verificada é que Fidel Castro é um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes. Essa riqueza provavelmente provém, provavelmente, de transações financeiras que as multinacionais que operam em Cuba pagam para poder operar naquele país. Tais recursos poderiam ser investidos nos sistemas de Saúde e de Educação dos cubanos, mas são usados para irrigar a fortuna de Fidel Castro e sua família.
Além disso, é preciso considerar que Cuba tem uma população estável em torno de 11 milhões de habitantes, sendo os demais países em geral tem populações crescentes. Os EUA, por exemplo, além de ter uma população 30 vezes maior que a cubana, ainda absorvem um contingente de migrantes equivalente a metade da população cubana, todos os anos.
Eficiência de sistemas públicos de saúde
Esse é um componente que tem peso significativo na economia. Como proporção do PIB, o gasto de Saúde cubano – em torno de 7% - é similar ao de outros sistemas de saúde da América Latina.
Entretanto, os trabalhadores cubanos recebem salários muito baixos. A comparação entre os salários dos trabalhadores em outros países e os salários dos trabalhadores cubanos é clara. Um beneficiário do Bolsa Família brasileiro ganha, por mês, só de benefícios estatais, um valor que é 3 vezes superior ao que aufere um médico cubano.
Outra medida que ajuda a reduzir os custos do sistema de saúde cubano é que não são oferecidas aspirinas e outros gêneros dessa natureza nas farmácias estatais cubanas. Não existem anestesias e diversos outros remédios que obrigam os médicos cubanos promover amputações de membros por falta de medicamentos.
Todas essas medidas mostram como é possível a um país gastar US$ 250 dólares por ano em saúde por habitante, e ter o seu presidente como um dos homens mais ricos do mundo.
Os EUA, por exemplo, gastam 22 vezes mais por cidadão em Saúde. Na Cuba ”SOCIALISTA” os médicos ganha US$ 250,00 por ano e vivem no país onde supostamente não existe exploração do homem pelo homem. Entretanto, nos países capitalistas, os médicos explorados em outros países ganham em média 200 vezes mais.
Eficiência do sistema cubano de Saúde.
Já verificamos que o gasto por habitante em saúde nos países é proporcional a renda. Pode-se usar tal indicador de gasto em saúde per capita como indicador a “eficiência” do sistema de Saúde.
Vamos comparar dois países latino americanos. Cuba (o mais socialista da América Latina) e Chile (o mais capitalista da América Latina).
Em termos de indicadores de Saúde, o Chile empata com Cuba na maioria dos indicadores. Vejamos
Chile : http://www.who.int/countries/chl/en/)
Expectativa de vida ao nascer homens/mulheres (anos): 74.0/81.0
Healthy life expectancy at birth h/m (years, 2002): 64.9/69.7
Mortalidade infantil h/m (per 1000): 10/9
Mortalidade adulta h/m (per 1000): 133/66
Total dispêndio em saúde per capita (Intl $, 2003): 707
Total dipêndio em saúde como % do PIB s (2003): 6.1
Cuba : (http://www.who.int/countries/cub/en/)
Total population: 11,269,000
PIB per capita (Intl $, 2004): 3,649
Expectativa de vida ao nascer homem/mulher (years): 75.0/80.0
Healthy life expectancy at birth h/m (years, 2002): 67.1/69.5
Mortalidade infantil h/m (per 1000): 8/7
Adult mortality h/m (per 1000): 131/85
Total dispêndio em Saúde per capita (Intl $, 2003): 251
Total dispêndio em Saúde como % do PIB (2003): 7.3
Agora vejamos a quantidade de profissionais de saúde em cada país: Cuba
Chile
Cuba Médicos (density per 1 000 habitantes) (:) 5.91
Enfermeiros (density per 1 000 habitantes) (:) 7.44
Dentistas (density per 1 000 habitantes) (:) 0.87
Chile
Médicos (density per 1 000 habitantes) (:) 1.09
Enfermeiros (density per 1 000 habitantes) (:) 0.63
Dentistas (density per 1 000 population) (:) 0.43
Desses dados concluímos que Cuba precisa de 5,4 mais médicos, 11,8 mais enfermeiros e o dobro de dentistas, para cada grupo de mil habitantes, para obter os mesmos resultados de Saúde que o Chile.
Cuba gasta 7% do seu PIB.
Agora uma questão importante: o PIB de Cuba, calculado pela PPP – Paridade do Poder de Compra, atinge (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra) o valor de US$ 37,24 bilhões de dólares. Porém deste site aqui vemos o gasto percapita.
http://www3.who.int/whosis/country/compare.cfm?country=CRI&indicator=PcTotEOHinIntD&language=english
O que se observa é que existe uma correlação entre renda-percapita e gasto por saúde percapita. Se usaármos países com resultados similares em Saúde verificamos que o gasto percapita em saúde sobre o pib percapta é igual a relação de gasto com saúde sobre o PIB.
Dispêndio percapita PIB Percapta gasto/
PIB EUA USD 6.621,43 USD 44.142,86 0,15
Argentina USD 1.149,70 USD 16.424,24 0,07
Costa Rica USD 566,16 USD 8.088,00 0,07
Cuba USD 236,98 USD 3.385,45 0,07
A explicação para tal fenômeno é que a maior parte do gasto dos sistemas de Saúde é exatamente com a remuneração dos profissionais de Saúde.
Portanto, países com baixos salários terão gasto menor, e países com altos salários, terão gastos maiores. Assim, Cuba obtém baixos dispêndios percapita em Saúde pagando baixos salários a seus trabalhadores.
Cuba se obtém resultados similares que outros países em Saúde. Entretanto, Cuba não tem eleições livres, não tem liberdade de expressão, os cubanos não tem liberdade de ir e vir, os salários dos cubanos são uns dos mais baixos do mundo e ocorrem violações dos Direitos Humanos em Cuba, como observa a HRW (Human Rights Watch), uma ONG internacional que analisa a situação dos Direitos Humanos nos países.
Apesar disso, Cuba e seu ditador multimilionários contam com a admiração de pessoas na América Latina. A questão que fica é: por qual motivo ocorre esse fenômeno?
A democracia direta não funciona
A democracia direta não funciona
Sérgio Werlang
A queda do Muro de Berlim em 1989 e o desmantelamento das economias socialistas, que chegaram a abarcar quase a metade da população mundial, tornaram óbvio que as idéias coletivistas que assolaram o século passado estavam erradas. A razão básica é simples: as estruturas socialistas pressupõem que os seres humanos tenham uma natureza comunitária, isto é, que sejam altruístas. Mas, com a exceção de alguns notórios e louváveis seres humanos, como São Francisco de Assis, ou a nossa Irmã Dulce, as pessoas comportam-se de forma a levar em consideração primordialmente (mas não exclusivamente) seu próprio bem-estar. Isto tem várias conseqüências práticas que inviabilizam as economias socialistas. Primeiro, a propriedade privada, algo que sabe-se que existe desde que a escrita foi inventada. Segundo, a importância da liberdade individual. Quanto mais livres para escolher são os seres humanos, mais alternativas há para considerar. Como a principal preocupação das pessoas é com seu próprio bem-estar, mais felizes estarão se houver mais escolhas. Economias socialistas em geral restringem muito a liberdade de contratação e negociação privadas, quando não são autoritárias, como as repúblicas comunistas do século XX. Por fim, uma terceira decorrência desta natureza individualista é a economia de mercado, como Hayek já havia observado em 1945. O retumbante fracasso do socialismo mostrou de forma cabal que não é possível sustentar uma utopia coletivista. Nos dias de hoje há uma aceitação muito maior no mundo da descentralização das decisões (deixando aos indivíduos a escolha do que fazer), dos mecanismos de mercado, e da participação do setor privado nas economias.
Ocorre que, desde Platão existe um grupo de utópicos que defendem a imposição de seus pontos de vista, como se estes fossem a única verdade. Para Platão, a verdade era absoluta e apenas uns poucos indivíduos conseguiam enxergar a real definição do que seria bom e do que seria mau. Estas pessoas iluminadas tinham o dever de impor aos outros os conceitos que só elas tinham capacidade de entender. Note que esta visão autoritária (o ditador filósofo, ou déspota esclarecido) é incompatível com a descrição que foi feita da natureza do ser humano, pois viu-se que quanto mais livres as pessoas, mais felizes. Infelizmente, a interpretação platônica foi muito influente e atravessou muitos séculos – no século XVIII, Rousseau falava que as pessoas tinham que ser “forçadas a serem livres”. A derrocada das idéias coletivistas deixou claro que não é possível obrigar os indivíduos a viverem numa comunidade socialista “pelo próprio bem deles”. Então, alguns destes utópicos dos dias de hoje (uma minoria, é bem verdade) pretendem que as pessoas por sua “livre e espontânea” vontade cheguem “democraticamente” à conclusão de que o socialismo é ainda a melhor alternativa.
Contudo, o conceito de democracia que este grupo de “neoutópicos” utiliza, o de democracia direta, está longe de representar escolhas verdadeiramente democráticas. A democracia direta é o conceito originado na Grécia. O modelo das cidades-Estado gregas, e mais especificamente de Atenas após a reforma de Sólon, que ocorreu em 594 a.C., consistia na participação diária de todos os cidadãos do sexo masculino acima de uma certa idade numa assembléia. Isto era o equivalente da época aos eleitores de hoje. Todos os assuntos da cidade eram discutidos neste fórum. Segundo estimativas de Finley (1977 – Os gregos antigos), uma reunião destas em Atenas poderia ter a participação de cerca de 40 a 45 mil indivíduos. Cada pessoa poderia apresentar moções, que seriam ou não decididas pela maioria.
Tal procedimento não era muito prático, e criou uma série de distorções que acabaram por ter um impacto muito grande nas cidades-Estado. O sistema era muito vulnerável à influência do mais eloqüente. Todos já passaram por alguma experiência de ter participado de uma assembléia estudantil. O método de votação é altamente dirigido pelos mais persistentes e loquazes. É relativamente fácil que uma minoria articulada possa influenciar decisivamente o resultado da votação. Este é um grande problema da democracia direta.
A democracia direta funcionou durante algum tempo, enquanto as comunidades gregas independentes eram pequenas, e as decisões não eram muito complexas. No entanto, com Alexandre da Macedônia (que morreu em 323 a. C.), que conquistou as cidades-Estado gregas, este modelo mostrou-se totalmente incapaz de responder com rapidez aos desafios de enfrentar uma nação maior e mais organizada. Roma, que acabou por tornar-se hegemônica por um período muito maior que as cidades-Estado gregas, aperfeiçoou a democracia. O conceito, que foi sendo desenvolvido desde 507 a. C., era simples: os cidadãos não votariam diretamente, mas escolheriam um representante que decidiria em seu nome. Este grupo de representantes era bem menor, e tornava as discussões mais rápidas, mais objetivas e menos sujeitas ao “populismo” do momento. Este modelo persistiu até 44 a. C., e mesmo durante o império romano de forma parcial. A democracia representativa moderna é muito mais desenvolvida. Hoje deputados e senadores têm como sua principal função o debate e a votação das leis. Organizam-se em comissões temáticas, de acordo com a especialização e o interesse de cada um. Como a maioria dos temas da sociedade atual é muito mais complexa, estas comissões têm assessores técnicos e normalmente ouvem muitos especialistas nos diversos assuntos, antes de votar uma proposta. Em suma, a decisão de fazer alguma mudança nas leis de um país é tomada com muito mais informação e segurança.
A idéia de implantar a democracia direta é na verdade autoritária. Isto porque o cidadão que é chamado a votar diretamente um assunto complicado não tem tempo para dedicar-se a estudar em detalhe o tema. Assim, fica exposto aos mesmos problemas que eram verificados em Atenas – as decisões tinham que ser tomadas influenciadas pelos grupos de interesse que faziam a melhor comunicação a todos, mesmo que a decisão mais correta para a população fosse outra. Fica muito pior ainda se a participação direta nas votações for convocada por ordem de uma única pessoa, o presidente da República, como parece ser o intuito final de Hugo Chávez, na Venezuela. A razão é que este único indivíduo escolhe as propostas e a forma de perguntar (que pode influenciar as respostas, como bem sabem os especialistas em pesquisa de opinião). Mais ainda, é comum que esta pessoa controle muitos meios de comunicação, de modo que pode fazer ampla propaganda a favor de suas idéias. Dessa forma, conclui-se que a democracia direta não é uma maneira eficiente de organização das decisões de um povo, além de não levar os cidadãos a escolherem de acordo com seus reais interesses, abrindo a porta ao autoritarismo.
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, diretor-executivo do Banco Itaú e professor da Escola de Pós-graduação em Economia da FGV, escreve mensalmente às segundas-feiras e excepcionalmente hoje.
Editorial de O Estado de São Paulo: excelente!
O Estado de S. Paulo – 23.02.2007
É incompetência, não ideologia
Editorial
Dois anos e dois meses depois de o presidente Lula sancionar a lei que instituiu as Parcerias Público-Privadas (PPPs), saudadas como o ovo de Colombo para a modernização acelerada da infra-estrutura do País em tempos de exígua capacidade de investimento do Estado nacional, a iniciativa continua repousando no amplo dormitório de projetos que o governo “anuncia, anuncia, anuncia”, como disse o próprio Lula, e nada acontece – salvo, naturalmente, no plano da retórica. Reportagem de Lu Aiko Otta, no Estado de ontem, sobre o travamento da primeira PPP lançada pelo Executivo federal nesse tempo todo, é uma evidência que se acrescenta a tantas outras de que a condição natural da administração lulista é a de uma inaptidão incurável para fazer com que as coisas aconteçam. Se as ações efetivas do Planalto correspondessem a 1/10 que fosse da falação presidencial, a sua operosidade já seria digna de registro.
A PPP de que trata a reportagem se refere a duas estradas no interior da Bahia, cujo edital de concessão está previsto para sair em março. A parceria – cujo lançamento já foi anunciado e adiado inúmeras vezes – corre perigo de continuar paralisada porque o governo considera alta a taxa de retorno esperada pelos potenciais parceiros privados, com base em projeções sobre a rentabilidade do investimento, da ordem de 12,5% ao ano. Em janeiro, numa decisão rumorosa, o governo suspendeu um projeto que concederia 7 trechos rodoviários à iniciativa particular, por não aceitar que o contrato embutisse uma expectativa de 12,88% de retorno, a que os interessados chegaram por critérios técnicos. Segundo os empresários do setor, uma taxa entre 12% e 13% nada tem de extravagante, sendo até relativamente moderada. Os índices adotados no programa de concessões rodoviárias do Estado de São Paulo se situam na faixa de 15%. Considerando o precedente, eles receiam que o governo vá rever os parâmetros das PPPs.
Há cerca de duas semanas, ao apresentar ao Congresso o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, procurou – ao que tudo indica sem êxito – desfazer as suspeitas de que a privatização daquelas estradas enfrenta a surda e bem-sucedida resistência ideológica do esquema petista de poder, ao qual ela própria não estaria alheia. A ministra assegurou que o processo de concessões rodoviárias será retomado “assim que for concluído o processo de revisão” dos cálculos para a definição das tarifas de pedágio a serem cobradas pelos concessionários. Chama a atenção das empresas o fato de 3 dos 7 trechos se situarem no Paraná, onde o governador peemedebista Roberto Requião, que se vê à esquerda do presidente de quem é aliado, já anunciou sua intenção de sabotar as concessões no Estado. Ele pretende investir R$ 200 milhões em estradas que poupariam os motoristas do pagamento de pedágios.
Decerto o vezo ideológico do governo contribui para atar o desenvolvimento da infra-estrutura brasileira. Mas essa contribuição é secundária perto do que realmente conta: a absoluta incompetência administrativa e gerencial da era Lula, às vésperas de completar 50 meses de improfícua existência. Admita-se, caridosamente, que, tendo perdido boa parte ou todo o primeiro ano do primeiro mandato querendo reinventar a roda, batendo cabeças e trocando rasteiras, enquanto, já então, o presidente se dedicava prioritariamente ao seu projeto reeleitoral, o primeiro escalão do Executivo tenha em seguida encontrado o seu eixo. Não só não o encontrou – salvo na política econômica e na gestão do Bolsa-Família -, como nem sequer hoje existe na prática, porque Lula não consegue reformá-lo para o segundo termo, passados quase 120 dias da reeleição. Nunca antes um presidente brasileiro demorou tanto para formar um Gabinete. Ontem, ele disse que fará a reforma do Ministério na segunda quinzena de março!
Seria razoável culpar o preconceito ideológico pela não-implementação das PPPs e pelo freio às concessões rodoviárias, se em outras áreas, em que esse fator tivesse peso muito menor ou nenhum, o desempenho do governo fosse diferente. Mas isso está longe de ser o caso. Praticamente por onde quer que se o examine, topa-se com um cenário de torpor e incompetência. Às vezes parece, aqui e ali, que agora vai. Mas, em menos tempo do que Lula leva para se elogiar a cada discurso, vê-se que foi outra enganação.
Porque precisamos de neoliberalismo
Outro dia estava debatendo com um esquerdinha sobre a questão da divida externa dos países do terceiro mundo, suas causas, conseqüências entre outros aspectos. Acho que este é um debate pertinente, pois a correta compreensão da formação da dívida externa brasileira, e dos países do terceiro mundo, é importante para colocar um pouco de razão no debate sobre essa questão.
A verdade é que a nossa dívida externa ocorreu em decorrência do aumento das taxas de juros nos EUA após a eclosão da revolução islâmica no Irã, no final da década de 70.
O interessante, como vocês poderão verificar ao longo do post é que o esquerdinha insiste em falar que as taxas de juros nos EUA subiram durante o governo Reagan (o esquerdinha queria dizer que o governo Reagan, neolibral, portanto, malvado, estava trabalhando com juros altos para oprimir o povo e dar dinheiro para os banqueiros….). O mais interessante é que o esquerdinha continua sustentando essa tese mesmo depois de confrontado com os gráficos da Prime Rate declinantes do governo Reagan.
Esquerdinha: [i]“Não se pode falar de queda sustentada da taxa de juros quando ela foi mantida de forma sustentada durante os governos Reagan nos níveis médios da crise do petróleo de 73/74, quando os neoliberais se emplumaram todos para dizer que as políticas keynesianas “não funcionavam”.”[/i]
Eu: A não ser que você queira brigar com os fatos, pode-se sim falar em queda sustentada das taxas de juros nos EUA durante o governo Reagan. Isso está exposto tanto no gráfico quanto nesta tabela (http://mortgage-x.com/general/indexes/prime.asp). E os fatos mostram que o governo Reagan pegou a taxa de juros em 20% ao ano e ela veio declinando até 10% ao ano no final do governo dele. A não ser que você queira mudar o entendimento da palavra “queda”, o que se viu foi uma “queda” das taxas de juros.
Uma outra curiosidade seria o uso do termo “neoliberais” em 73/74, e mais curioso ainda é falar que os “neoliberais” falavam que as políticas keynesianas não funcionavam. Primeiro, a política fiscal do Reagan, durante seu mandato, na década de 80, é de cunho keynesiano. Segundo. Nunca ouvi falar que políticas keynesianas “não funcionam”. É óbvio que funcionam, pegue qualquer modelo macroeconômico keynesiano e verifique que aumentando-se “G” você tem aumento de “Y”. O que se discute não é se elas funcionam ou não, é consenso, inclusive matemático, que elas funcionam, mas se outro tipo de política poderia eventualmente funcionar melhor. Curiosamente, o governo Clinton, adotou uma política fiscal não keynesiana, de forte contenção de gastos públicos, e exatamente durante o governo dele os EUA experimentaram seu maior crescimento econômico no pós-guerra.
Esquerdinha: [i]“Que você concorde comigo que “a escalada da dívida externa brasileira foi resultado das políticas de juros consistente e sustentadamente praticadas pelos governos Reagan” (e o governo Carter produziu um efetivo rebaixamento da taxa de juros para os níveis anteriores ao dos choques do petróleo de 73/74) significa, como conclusão corolária, que o nível de endividamento externo brasileiro não foi obra deliberada dos governos militares (já que o maior percentual dos empréstimos tomados a partir de 78 destinavam-se à rolagem da dívida).”[/i]
Eu: Não. Eu não posso concordar com você porque eu não posso brigar com os fatos. O Brasil, e a maioria dos países do terceiro mundo, se endividou fortemente no período subseqüente à segunda crise do petróleo em contratos pós-fixados indexados à Prime Rate. E os fatos e o gráfico e a tabela que eu já citei me mostram que quem elevou as taxas de juros dos EUA de níveis de 7 a 8% para 20% foi o governo Carter, e não o Reagan, que as trouxe de volta para patamares de 9%..10%! De qualquer forma, falar em níveis de taxas de juros
em governo Carter ou Reagan é inapropriado, tendo em vista que o FED é uma entidade independente e a política monetária dos EUA não é definida na Casa Branca.
Entretanto, se mesmo com os fatos você insiste em dizer o contrário, não posso fazer nada, mas o debate parte para outro campo, que não o da ciência e da história. Talvez o da culinária, ou da ficção, talvez.
Esquerdinha: [i]“Pode-se até dizer que foi obra de uma política econômica temerária, o que é o mesmo que não dizer nada, porque o dinheiro internacional era barato desde o final da Segunda Guerra, e financiou parte substancial do crescimento econômico europeu e japonês.”[/i]
Eu: Uma coisa que você ainda não percebeu é que eu não estou criticando os governos militares. Nem o comparando com o governo do FHC, mesmo porque acho impossível esse tipo de comparação, são momentos históricos distintos, outro tipo de contexto, econômico, tecnológico, político e social.
Esquerdinha: [i]Com isso, o argumento de que os governos militares legaram ao Brasil uma dívida externa impagável cai por terra se não forem considerados os condicionantes externos.[/i]
Eu: Eu nunca falei isso. Aliás, nunca achei a dívida externa brasileira impagável, sobretudo em termos econômicos. O fato, porém, que a dívida externa brasileira, inflada pelos juros do governo Carter, gerou alguns problemas de ordem financeira, que se refletiram no aspecto econômico. Mas, do ponto de vista econômico, nunca foi impagável.
Esquerdinha: [i]“Essa mesma dívida externa que se tornou catastrófica por conta das políticas neoliberais dos governos Reagan financiou a modernização do parque industrial e da infra-estrutura produtiva brasileira, ao custo de arcar com todos os riscos da expansão da fronteira industrial.”[/i]
Eu: Políticas neoliberais do governo Reagan? Com expansão dos gastos públicos? Isso é neoliberal, agora? Não sabia.
Esquerdinha: [i]“Depois de corridos todos os riscos e arcados todos os custos, fica realmente muito fácil pedir pra distribuir os ativos a preços sub-avaliados, porque tudo que o empresariado privado sabe fazer é predar. No fim das contas vemos que o sacrifício da dívida externa brasileira serviu para a canalha neoliberal (tucana incluída) montar seu esquemão de privatização, com direito a Banestado e outros penduricalhos.”[/i]
Eu: Para ficar apenas no sistema Telebrás, vemos um resultado final de mais de US$ 30 bilhões.
http://www.bndes.gov.br/privatizacao/resultados/federais/telecomunicacoes/fedtelec.asp
Se isso é sub-avaliado, então mais sub-avaliado estão agora, dado que tais empresas valem menos do que isso no mercado acionário.
Agora, eu realmente gostaria de saber o que você está defendendo. No começo era que o governo Reagan subiu juros, e que isso quebrou o Brasil e financiou a corrida armamentista contra a ex-URSS. Foi demonstrado que o governo Reagan diminuiu os juros e que os países do 3º mundo entraram em default, portanto não puderam financiar nada. Depois, a comparação do governo militar com governo FHC.
Afinal, qual sua tese? A de que os tucanos são malvados e os milicos e os petralhas bonzinhos? Então tá. Vamos debater futebol, então!
FHC excepcional
FHC foi excepcional. Trata-se do mais importante presidente da República que o Brasil jamais teve. Foi FHC que criou as bases de um capitalismo incipiente no Brasil. Antes de FHC tínhamos quase um socialismo no Brasil, com o Estado controlando quase 70% do PIB! Um país no qual o Estado controla praticamente toda a economia, obviamente que capitalista não é.
O que fez o FHC durante sua gestão não é brincadeira. Em 8 anos mudou o Brasil definitivamente, passamos a ter uma economia de mercado. Ainda precisamos avançar em muitos aspectos, sobretudo em melhoria da eficiência do Estado. Precisamos promover mais privatizações, como Petrobrás, Banco do Brasil, CEF, entre outras. Mas a verdade é que o que foi feito durante a sua gestão mudou para melhor, para muito melhor, o Brasil.
Reforma do Estado; criação das Agências Reguladoras; privatização de milhares de estatais; reconhecimento de esqueletos que existiam no Estado e não apareciam na dívida pública (só no BB foram 12 bilhões de dólares);
Privatização de TODOS os bancos estaduais!!!!!
Não podemos nos esquecer, NUNCA, que só no BANESPA foram quase 40 bilhões de dólares! Será que alguém faz idéia do que aconteceria com o Brasil caso o BANESPA quebrasse? A quebra de um banco muito menor e menos representativo levou à Crise da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929!
Privatização da CVRD – Vale do Rio Doce
O que é a CVRD hoje? A maior mineradora do mundo! Gera 4 vezes mais empregos – só os diretos – do que quando era estatal.
Privatização da EMBRAER
A EMBRAER é, hoje, a maior fabricante de aviões regionais do mundo!
Modernização do sistema de telecomunicações
Hoje temos 100 milhões de telefones celulares no Brasil graças a quebra do monopólio estatal de exploração de telecomunicações. Será que alguém se lembra que um telefone custava 4 mil dólares em SP, e demorava 6 anos para ser instalado!
Lei de Responsabilidade Fiscal
É incomensurável os benefícios dessa Lei para o Brasil.
Ruptura
O Fernando Henrique pode ser caracterizado como um presidente de ruptura, assim como o foi Getulio Vargas. GV rompeu com um modelo de Estado e de País, implantou outro modelo. FHC rompeu com a era Vargas, colocou outro tipo de Estado em seu lugar.
E o Lula?
O Lula está aí apenas administrando o caixa, nada além disso. Não promoveu mudança nenhuma na estrutura produtiva brasileira.
FHC vai ficar para a história! Sensacional o que ele fez! Ainda mais se consideramos que todas as mudanças foram feitas em plena vigência da Democracia e do Estado de Direito.
Não é possível comparar FHC e Lula
FHC pegou o Brasil com uma inflação de 84% ao mês; com rombos e esqueletos em tudo quanto era lugar no Estado; com o BB, a CEF, Petrobrás e Telebrás falidos! O país havia retomado o pagamento dos compromissos externos fazia menos de 1 ano do Plano Brady!
Em 8 anos ele transformou o Brasil numa economia que quando se baixa os juros a economia cresce, e quando os eleva, a inflação cai. Deixou um país no qual o Estado não precisa fazer nada e não atrapalhar, que a economia cresce sozinha, gerando empregos e renda.
8 anos depois temos empresas estatais lucrativas, como BB, CEF e Petrobrás!
Não adianta querer comparar governo Lula x FHC com números. Daqui a pouco os petralhas vão falar que o Lula é melhor porque nunca existiram tantos brasileiros no Brasil quanto hoje! Vamos falar sério, né?
O fato é que durante o governo FHC houve uma ruptura paradigmática. Saímos do Estado da era Vargas e entramos num modelo de Estado mais moderno e sintonizado com a globalização.
O que fez o Lula além de discurso? Não tem como comparar um governo com o outro. E falo mais, se fosse FHC ou Serra no lugar do Lula, o Brasil estaria crescendo 5..6% ao ano.
Os esquerdinhas emulam um comportamento do presidente, que tem complexo de inferioridade em relação ao FHC. Podem ver como o FHC se diverte com isso: vive soltando declarações na imprensa, logo em seguida o Lula fica bravinho.
Divida mobiliária
Como é que saímos de uma situação de imposto inflacionário de 80% ao mês para 1% ao mês? Tirando dinheiro de onde?
Os 12 bilhões de dólares que foram investidos no BB vieram de onde?
E os 8 bilhões na CEF?
E os bilhões que foram investidos na Telebrás para permitir que fosse vendida?
E o rombo de 34 bilhões de dólares no Banespa?
De onde vinha a inflação senão de emissões monetárias para cobrir rombos do Estado que nem se fazia idéia de onde saiam?
Nunca ouviu falar de esqueletos? Acesse esta página aqui:
Antes de FHC tínhamos um Estado que saia dinheiro por tudo quanto é rombo, inclusive bancos estaduais, que financiavam governadores populistas e depois vinham com chapéu para o BC pagar! Como o Banco Central cobria o rombo? Simples: emitindo moeda! Depois não sabem porque havia inflação!
Tínhamos um BB que só dava prejuízo!
Tínhamos uma Telebrás cujas tarifas eram usadas para controlar a inflação!! (acho que eles não sabiam que inflação se controla com política monetária pelo Banco Central, e não por empresa de telefonia!)
Tínhamos Estados e municípios quebrados que gastavam muito, muito mais do que arrecadavam!
Como financiava tudo isso? Imprimindo dinheiro: o que dava a inflação!
A situação do Estado brasileiro era infinitamente mais catastrófica que a do Estado Argentino, porém, o nosso governo FHC foi muito mais competente que o deles para lidar a mudar o estado de coisas aqui! A Argentina foi para o buraco! O Brasil não foi, mesmo tendo uma situação muito pior!
Na Argentina, mesmo tendo situações fiscais e sociais infinitamente melhores que as brasileiras, a barbeiragem dos governos lá levou a queda do PIB de 16% em 2002, e de 18% em 2003!!! Aqui nunca tivemos que passar por isso!
Fatos sobre o embargo econômico EUA Cuba
Motivos do embargo: 1. confiscação, sem compensação, de todas as companhias e propriedades norte-americanas em Cuba, procedimento que violou a legislação internacional;
Violação dos Direitos Humanos em Cuba
2. Motivação política: Fidel Castro não respeita os direitos fundamentais da população cubana: Execuções maciças e sem julgamento; Aprisionamento políticos; Dissolução do poder judicial; Restauração de cortes “revolucionárias” com juizes indicados politicamente; Confiscação de todos os meios de comunicação; Proibição à entrada e à saída livres do país; Dissolução e proibição de partidos políticos, exceto o comunista;Intervenção nos sindicatos dos trabalhadores. O embargo comercial é a forma dos EUA dizer que não compactua com a conduta criminosa e anti-democrática de Fidel Castro, e portanto, Fidel não pode se beneficiar de empréstimos e do comércio dos Estados Unidos. Em 1974, unilateralmente, o presidente Gerald Ford decretou a suspensão parcial do embargo, permitindo que companhias norte-americanas estabelecidas em outros países, ou suas filiais, pudessem negociar com Cuba. Mesmo assim o regime não flexibilizou sua opressão sobre o povo. O comércio cubano com as companhias norte-americanas chegou a cifra de US$ 704 milhões em 1989, mas apesar disso a conduta de Castro, ao contrário, tornou-se cada vez mais agressiva e menos conciliatória: Castro enviou invasões armadas na África (Angola e Etiópia), e tornou-se um ajudante no conflito do Oriente Médio (colinas de Golán) e na Indochina.O embargo foi novamente interposto em 1992 com a Lei Torricelli, restaurando parcialmente o embargo comercial. Entretanto, desde então são permitidos o envio à Cuba de doações de alimentos e de produtos farmacêuticos, e autoriza o intercâmbio cultural e o envio de dinheiro aos parentes de cubanos que vivem nos EUA.
Cuba negocia com o mundo inteiro
O embargo é simplesmente um dispositivo que dificulta o comércio de Cuba com os EUA, mas Cuba pode negociar com quem Cuba desejar, podendo mesmo adquirir produtos americanos no Panamá, no México ou no Canadá. Aliás, todos os hotéis turísticos de Cuba estão repletos de produtos norte-americanos.
7. O embargo econômico é responsável pela falta de remédios e alimentos em Cuba? Absolutamente não. Cuba negocia com o mundo inteiro, menos com os Estados Unidos. Todos os remédios ou alimentos que Cuba quer adquirir, podem ser comprados do México, Canadá ou Panamá, para mencionar somente países próximos a Cuba. Além disso, é muito mais barato comprar remédios no México e no Canadá do que nos próprios EUA. Os remédios feitos nos Estados Unidos são em média 25% mais baratos naqueles países. Com alimentos acontece o mesmo.
EUA fazem doações anuais de remédios e alimentos à Cuba!
8. O orçamento de Cuba atribui um média de 4 milhão dólares ao ano para a importação de remédios. A união européias doa a Cuba aproximadamente 10 milhão dólares em remédios e alimentos, e os Estados Unidos, com seu “embargo” e tudo, doaram ao país aproximadamente $472 milhões em remédios nos últimos 10 anos. Com essas quantidades de doações os cubanos teriam quantidades suficientes para satisfazer suas necessidades, mas onde estão esses remédios? Procure-os nos hospitais para os estrangeiros que pagam os serviços médicos em Cuba em dólares e nos hospitais usados pela elite política (e onde a população não pode ser atendida). Nesses hospitais e clínicas há todas os remédios…. Também podem-se ser encontrados nas lojas para estrangeiros em que se vende em dólares.
MENSALÃO DA EX-URSS à CUBA : US$ 3 bilhões / ano
9. De 1970 a 1991, Cuba recebeu aproximadamente três bilhões de dólares por ano de subsídios da União Soviética. Em todos estes anos, os cubanos tiveram a oportunidade de comprar um par de sapatos por ano, mas não foram construídas mais casas, nem melhorado o transporte público, nem a livreta de racionamento foi suprimida, nem melhorou o padrão de vida da população. Pergunta: o que fez Fidel Castro com essa quantidade de bilhões de dólares que forma parar em suas mãos? Resposta: foram usados simplesmente reforçar o poder de Fidel Castro. Pelo exemplo: com esse dinheiro, Castro montou o oitavo maior exército do mundo! (imagine um ilha de 110.000 quilômetros de quadrado e 10 milhão habitantes com o oitavo exército do mundo!).
Outra destinação que Fidel Castro deu ao dinheiro foi financiando guerras na África e processos de subversão de governos democráticos na América Latina, mas sobretudo Castro usou-o para criar um gigantesco instrumento repressivo como o Departamento do Interior integrado por aproximadamente 92 mil agentes e mais e dezenas de m ilhares de informantes que constituem uma rede que tudo vê e informa aos organismos políticos.
Qual foi o uso que Castro deu aos aproximadamente 100 bilhões de dólares que chegou no país entre 1970 e 1991 pelo conceito de subsídios soviéticos e pelos créditos de países ocidentais? A pergunta lógica que segue esta situação é: se for suspenso o embargo, em que tipo de atividade será usado o crédito ou os fundos de financiamento norte-americanos: não foi necessário ter bola de cristal para responder que os recursos serão usados da mesma forma que foram usados antes, ou mesmo para aumentar sua fortuna agora que a situação está ruim e porque não existe mais o subsídio soviético e seus 50 anos de erros econômicos asfixiam até aqueles que antes o suportaram pelos privilégios concedidos e que eles agora já não tem mais.
O embargo, portanto, tem a intenção de impedir que Castro obtenha mais dinheiro ou créditos para continuar financiando o seu poderoso instrumento repressivo que o mantém no poder, e que, adicionalmente aumenta a precariedade da vida em Cuba e não em benefício da população.
Deixe-nos recordar que Castro, desde 1992, não paga seus compromissos externos e consequentemente não consegue crédito em nenhum lugar do mundo. O único país que Fidel Castro não deve, e portanto, poderia obter crédito são os Estados Unidos da América. Por esta razão todo seu esforço é concentrado em obter a suspensão do embargo para que possa obter novos recursos para sustentar e continuar financiando sua permanência no poder.10. A razão central para que Fidel Castro detenha poder e mantenha a ditadura que assola Cuba há 46 anos é o controle, o medo e o terror que ele matem sobre a população. Que o terror é imposto e mantido por seu instrumento repressivo militar gigantesco.
A contribuição importante do embargo é que reduz a quantidade de dinheiro que de uma outra maneira chegariam nas mãos de Castro e que já nós sabemos o uso que teria. Conseqüentemente, o embargo corrói o orçamento disponível para a manutenção daquele instrumento na carga para manter posto sob a população cubana. A razão é que para a população cubana o embargo está atuando no sentido correto, corroendo a capacidade militar de repressão de Castro e que o sustenta no poder.
11. Se o embargo comercial trabalhou CONTRA o governo racista da África do Sul, se trabalhou CONTRA à atividade terrorista do governo da Líbia, se trabalhou CONTRA o expansionismo territorial do governo do Iraque, se trabalhou CONTRA a ditadura militar no HAITI, qual a razão que seja permitido negar a mesma funcionalidade CONTRA a ditadura de Fidel Castro?12. A suspensão do embargo comercial não produziria a melhoria econômica alguma para a população nem reforma política para ampliar as liberdades e o respeito aos Direitos Humanos em Cuba, como foi visto o que aconteceu no Vietnan. Já faz 7 anos que os Estados Unidos levantaram seu embargo e restauraram relações diplomáticas com o Vietnam, não obstante nada mudou nesse país. Os prisioneiros políticos seguem nas cadeias, a ditadura comunista segue intacta e o povo não se beneficiou de qualquer coisa.
A solução do problema de Cuba é que a ditadura de 46 anos de Fidel Castro que arruinou economicamente o país da mesma forma que aconteceu em todos os países comunistas. Com a FIM da ditadura, Cuba poderá retornar à democracia e decidir livremente seu destino da mesma forma que o fazem outros países da América Latina.
O embargo consubstancia-se também em um caráter político, frente a impossibilidade de obter que Castro respeite os direitos fundamentais da população cubana. São vastamente conhecidas as execuções maciças e sem julgamento, o aprisionamento dos oponentes políticos, a dissolução do poder judicial, a restauração de cortes “revolucionárias” com os juizes oriundo de indicações políticas, a confiscação de todos os meios de comunicação, a proibição à entrada e à saída livres do país, a dissolução e proibição de partidos políticos, exceto o comunista e a intervenção nos sindicatos dos trabalhadores, são medidas autoritárias que Castro impôs para consolidar seu poder absoluto e erradicar a democracia e os direitos dos cidadãos cubanos. O embargo comercial era uma forma dos Estados Unidos dizer a Castro que sua conduta criminosa e anti-democrática era inaceitável e que, dessa forma, não poderia beneficiar-se de empréstimos e o comércio dos Estados Unidos.
Outros fatos que demonstraram a necessidade precípua de interposição do embargo é a série de intervenções armadas de tropas cubanas na Venezuela, Nicarágua, Panamá, Guatemala e a Colômbia a fim derrubar os governos daqueles países e ajudar atividades de desestabilização e subversão em um grande número de países da América Latin como Peru, Brasil, Uruguai e Argentina.4. Em 1974, após a aproximação dos Estados Unidos com a China, os norte-americanos também tentaram estabelecer uma reconciliação com Fidel Castro. Unilateralmente, o presidente Gerald Ford decretou a suspensão parcial do embargo, permitindo que companhias norte-americanas estabelecidas em outros países, ou suas filiais, poderiam negociar com Cuba. A ação de boa amizade dos Estados Unidos porém não obteve resposta por parte de Cuba, mesmo que o comércio cubano com as companhias norte-americanas chegou a cifra de US$ 704 milhões em 1989. A conduta de Castro, ao contrário, tornou-se cada vez mais agressiva e menos conciliatória. Por exemplo, Castro enviou invasões armadas na Africa (Angola e Etiópia), e tornou-se um ajudante no conflito do Oriente Médio (colinas de Golán) e na Indochina.Internamente, tampouco nada mudou em Cuba. Os cubanos continuaram sem direitos e sem liberdades. Nós podemos sumariar que “a abertura e a tentativa da aproximação dos Estados Unidos “, foram inúteis.
Para essa razão, quando Europa Oriental e a União Soviética empreenderam as reformas do Glaznot e o Perestroika e Castro as rejeitou, os americanos concluíram que todo o esforço democrático com Castro era destinado a falhar. A resposta lógica foi a lei Torricelli, em 1992, restaurando o embargo comercial a seu estado original. Realmente, a lei não retornou em seu nível precedente porque permite o envio à Cuba de doações de alimentos e de produtos farmacêuticos, autoriza o intercâmbio cultural e o envio de dinheiro aos parentes de cubanos que vivem nos EUA.
Fidel Castro chama o embargo de “bloqueio” a fim de tentar mostrar que os EUA impedem o livre comércio com Cuba. Isso é totalmente falso. O embargo é simplesmente um dispositivo de não comercialização com os Estados Unidos. Cuba pode negociar com quem Cuba desejar, podendo mesmo adquirir produtos americanos no Panamá, no México ou no Canadá. Aliás, todos os hotéis turísticos de Cuba estão repletos de produtos norte-americanos.
Há alguns que pensam que o embargo fosse levantado, Castro faria mudanças democráticas ou passaria a respeitas ao menos dos direitos humanos básicos dos cidadãos cubanos. Vejamos. Durante a visita a Cuba do governador de Illinois, George Ryan, no mês e outubro de 1999, os jornalistas perguntaram a Castro: “Se o embargo dos Estados Unidos se levanta, ocorrerá em Cuba uma abertura democrática? A resposta do ditador foi categórica: NÃO! Nós não admitimos condições de nenhum tipo.Isso demonstra o que os cubanos sabem de memória mas que os não cubanos não sabem: Castro nunca consentirá em fazer alguma concessão política que diminua seu poder absoluto no país. O único que interessa a Castro lhe falar é com o presidente dos Estados Unidos e na base de que seu poder e sua dominação em Cuba seja intocável. Castro se considera o proprietário de Cuba. Esse é problema principal que temos em Cuba.
O embargo econômico é responsável pela falta de remédios e alimentos em Cuba? Absolutamente não. Cuba negocia com o mundo inteiro, menos com os Estados Unidos. Todos os remédios ou alimentos que Cuba quer adquirir, podem ser comprados do México, Canadá ou Panamá, para mencionar somente países próximos a Cuba. Além, os cubanos não têm um ou outro as medicinas que ocorrem em Cuba como a aspirina e os antibióticos porque simplesmente Castro exporta para outros países como Nicarágua e Equador que prevalecem deles a cidade Cuban.Além disso, é muito mais barato comprar remédios no México e no Canadá do que nos próprios EUA. Os remédios feitos nos Estados Unidos são em média 25% mais baratos naqueles países. Com alimentos acontece o mesmo. Responsabilizar o embargo pela falta dos alimentos em Cuba é totalmente ridiculo: onde estão as viandas, os vegetais, porcos, galinhas e ovos que em Cuba ocorrem quase selvagens e que eram sempre abundantes em Cuba? Alimentos básicos não têm qualquer coisa a ver com o embargo. A resposta é simples: Fidel Castro e o sistema econômico centralizado que foi imposto a Cuba por Castro arruinou a economia de Cuba. Expropriaram-se todas as terras e fazendas de Cuba, porém as terras continuam não produtivas. O próprio ministro da agricultura cubano reconheceu que 25% da terra estão cheia do mato porque não é usada. Não é permitido aos trabalhadores rurais cultiva-las. Responsabilizar aos Estados Unidos e o embargo por aquelas deficiências não é nada mais que um slogan para iludir quem não conhece a realidade cubana.
O orçamento de Cuba atribui um média de 4 milhão dólares ao ano para a importação de remédios. A União Européia doa a Cuba aproximadamente 10 milhão dólares em remédios e alimentos, e os Estados Unidos, com seu “embargo” e tudo, doaram ao país aproximadamente $472 milhões em remédios nos últimos 10 anos. Com essas quantidades de doações os cubanos teriam quantidades suficientes para satisfazer suas necessidades, mas onde estão esses remédios?Procure-os nos hospitais para os estrangeiros que pagam os serviços médicos em Cuba em dólares e nos hospitais usados pela elite política (e onde a população não pode ser atendida). Nesses hospitais e clínicas há todas os remédios.Também podem-se ser encontrados nas lojas para estrangeiros em que se vende exclusivamente em dólares.
MENSALÃO SOVIÉTICO SERVIU APENAS PARA CASTRO AUMENTAR A OPRESSÃO SOBRE O POVO
De modo que seria necessário manter o embargo?. Vejamos. De 1970 a 1991, Cuba receberam aproximadamente três bilhões de dólares ao ano de subsídios da União Soviética. Em todos estes anos, os cidadãos cubanos tiveram a oportunidade de comprar um par de sapatos por anos, mas nenhuma casa nova foi construída, nem mesmo o sistema de transporte coletivo foi melhorado, nem a livreta de racionamento foi abolida, e nem o padrão de vida da população melhorou. Então, nem com essa quantidade de bilhões de dólares que chegou às mãos de Fidel Castro não beneficiou em nada a população cubana. Ao contrário, foram usados apenas para reforçar o poder de Fidel Castro. Por exemplo: com esse dinheiro, Fidel criou o oitavo exército do mundo (imagine uma ilha de 110.000 quilômetros de quadrado e 10 milhões de habitantes com o oitavo exército do mundo!). Além disso, Castro torrou dinheiro em guerras na África, ou financiando a subversão na América Latina.
GUIA PARA NEGOCIAR COM CUBA
Interessante que o embargo econômico não inibe a venda de açúcar cubano no mercado internacional e tampouco os charutos Havana… Para charutos não há embargo… mas para produtos farmacêuticos há….. Para investidores estrangeiros aplicarem seu capital e lucrar em Cuba não há embargo. Aliás, o governo dá todas as garantias sobre propriedade intelectual, garantias de repactuação de capital e etc, como podemos verificar na própria página do governo cubano que se chama “Guia para NEGOCIAR EM CUBA”: http://www.camaracuba.cu/BusinessCuba/BusinessCuba_Index_es.htm
O governo cubano faz business com os capitalistas internacionais, empresas multinacionais se instalam lá, dão lucros para o governo…e para isso não há embargo, mas para produtos farmacêuticos há…
Lula: anti-marxista?
Lula: “parte da humanidade (…) escravizada pelo Estado…pela ideologia marxista”
[i][b]“Lula já rejeitava o marxismo em seu discurso de posse no Sindicato dos Metalúrgicos, em 1975. Ele disse literalmente que “parte da humanidade havia sido esmagada pelo Estado, escravizada pela ideologia marxista, tolhida nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitada em sua capacidade de pensar e se manifestar”.”[/i]
[i]“A herança de Marx não diz respeito à teoria econômica comunista ou a seu socialismo científico. Ambos produziram enormes desastres econômicos e sociais”[/i]
[i][b][os economistas]“Acham que as pessoas votam em fascistóides mentirosos – e é isso o que Chávez é – só para ficar alegres por um período enquanto são enganadas. A Bolívia é um caso típico.”[/i][/b]
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
[i][b]Veja 4 – Delfim, a mais completa tradução de… Lula! [/b]Por Marcio Aith:
Poucos políticos ganharam tanto vigor depois de uma derrota eleitoral quanto o deputado Delfim Netto. Sua influência em Brasília só cresce desde que perdeu, em outubro passado, o que seria sua sexta eleição consecutiva para a Câmara dos Deputados. O motivo? Delfim caiu no gosto do presidente Lula, que o considera um amigo e quer nomeá-lo para um cargo no governo. Lula cita sua proximidade com o ex-superministro do regime militar como sinal de que caminha para a direita e que, portanto, amadurece. Já Delfim, que tem elogiado enfaticamente o esforço do governo para distribuir renda, enalteceu em artigo recente o legado teórico de Karl Marx, o que foi visto com desconfiança pelos seus adversários. Em entrevista a VEJA, Delfim diz que suas opiniões não sinalizam uma mudança de convicções, mas “um esforço para conciliar a aritmética econômica à realidade política”. Ele também diz que os economistas se esquecem das urnas e, por isso, não entendem a vitória eleitoral de populistas na América Latina. “A eleição de Evo Morales na Bolívia é um caso típico. O Banco Mundial e o FMI publicaram dezenas de livros sobre as virtudes do equilíbrio boliviano. Mas esqueceram os índios.”
[i][b]Veja – O senhor escreveu um artigo defendendo o legado teórico de Karl Marx. Foi uma tentativa de agradar a seus novos amigos petistas?
Delfim –[/b] Claro que não. Só os incautos poderiam acreditar que o presidente algum dia cedeu aos flertes do marxismo. Lula já rejeitava o marxismo em seu discurso de posse no Sindicato dos Metalúrgicos, em 1975. Ele disse literalmente que “parte da humanidade havia sido esmagada pelo Estado, escravizada pela ideologia marxista, tolhida nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitada em sua capacidade de pensar e se manifestar”. Lula não precisa de guru nem de agrado, ele tem uma inteligência absolutamente privilegiada e uma intuição muito superior à da maioria dos intelectuais que conheço. De vez em quando ele me convida para um café e eu me sinto honrado. É isso.
[b]Veja – Lula então é menos marxista que o senhor?
Delfim –[/b] Nem mais nem menos. O que escrevi é que, tendo ou não tendo lido a obra de Marx, somos todos marxistas, exatamente como somos neoliberais, cartesianos, espinosianos, kantianos, keynesianos, freudianos ou einsteinianos. Ou seja, poucos leram esses autores, mas todos fomos influenciados de uma forma ou de outra por suas obras. A herança de Marx não diz respeito à teoria econômica comunista ou a seu socialismo científico. Ambos produziram enormes desastres econômicos e sociais. Refiro-me ao legado antropológico, à idéia de que o homem se faz pelo trabalho. O velho Karl constatou, antes mesmo do surgimento do mercado, que a liberdade e a igualdade são incompatíveis. Que o homem livre naturalmente produz a desigualdade.
(…)[/i]
[i][b]Veja – Em que medida o Programa de Aceleração do Crescimento assegura o crescimento?[/b]
Delfim – O plano não tem grandes novidades. A maior parte dos projetos de infra-estrutura nele previstos está parada desde 1997. O mérito do plano foi recuperar um projeto de desenvolvimento econômico e procurar acender o espírito animal dos empresários. O setor privado precisa de duas garantias para investir: a de que haverá crescimento e a de que não faltará energia. Se houver essas duas garantias, os investimentos virão. Veja o caso do complexo hidrelétrico Belo Monte, no Rio Xingu. Por mais nobre que seja a questão indígena, é absurdo exigir dos investidores que reduzam pela metade a potência de energia prevista num projeto gigantesco porque doze índios cocorocós moram na região e um jesuíta quer publicar a gramática cocorocó
em alemão. Com o plano, o presidente tenta abordar essa e outras questões. Mas existe uma lista enorme de emergências no setor público. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.
(…)
[b]Veja – Se o objetivo do governo Lula é recuperar a confiança dos investidores, por que cancelou o leilão de novas concessões em rodovias e postergou a reforma da Previdência?[/b]
Delfim – O governo não cancelou os leilões nem desistiu de fazer concessões ao setor privado. Essa idéia falsa foi criada por investidores que queriam introduzir volatilidade no mercado para ganhar dinheiro. Os leilões foram adiados para que as taxas de retorno dessas atividades se adaptem a uma nova realidade de juros mais baixos. Nada de mais.[/i]
[i][b]Veja – Por que o senhor não criticou o governo por ter desistido de fazer a reforma da Previdência?[/b]
Delfim – É preciso fazer as coisas pelo ponto de menor resistência. E não dá para fazer todas as reformas ao mesmo tempo. Uma reforma previdenciária só teria efeito em quarenta anos. É mais coerente manter o equilíbrio fiscal, garantir uma redução monotônica da relação dívida-PIB e garantir a oferta de energia pela próxima década. As contas da Previdência têm problemas sérios, mas essa idéia de que se podem cortar direitos é um sonho. Não se corta no Brasil e em nenhum lugar do mundo. A não ser que o político se eleja para cortar. Na minha opinião, a mensagem que Lula recebeu do eleitorado foi a seguinte: eu quero crescimento com distribuição de renda. Esse é o mandato do Lula.
[b]Veja – Mas o bom estadista não é aquele que diz a verdade aos eleitores, por mais difícil que ela seja?[/b]
Delfim – Desde que ele diga isso antes da eleição, não depois. E, se disser, tenho uma pequena suspeição de que não será eleito. O Nakano (o economista Yoshiaki Nakano, que assessorou Geraldo Alckmin na campanha eleitoral) foi o único sério em todo o processo eleitoral do ano passado. Ele pensou que estava na Irlanda, decidiu falar a verdade com relação aos cortes necessários de gastos e foi execrado, defenestrado. O que ele falou está correto sob o ponto de vista econômico, mas tem um pequeno problema político. Economistas em geral não entendem nada de urna.[/i]
[i][/b]Veja – Como assim?
Delfim –[/b] Suas fórmulas não fecham porque eles não levam as urnas
em consideração. Eles pensam que o Evo Morales, o Chávez e o Ortega são acidentes. Acham que as pessoas votam em [b]fascistóides mentirosos – e é isso o que Chávez é[/b] – só para ficar alegres por um período enquanto são enganadas. A Bolívia é um caso típico. Foi o exemplo mais brilhante de estabilização, feito por Jeffrey Sachs. O Banco Mundial e o FMI publicaram dezenas de livros sobre as virtudes do equilíbrio boliviano. Mas esqueceram os índios. Só perceberam quando as urnas foram abertas. Na urna, mesmo a mais brilhante ou rica personalidade vale tanto quanto o mais desvalido dos desempregados.
[b]Veja – Na urna também cabem mentira, populismo e autoritarismo.
Delfim [/b]– É verdade, mas a urna só fala errado quando o economista e o político pensaram errado antes. Só depois que eles falharam em conciliar a aritmética econômica com a realidade política.
(…)[/i]
Homem: ser natural
http://www.cfh.ufsc.br/~magno/bancanarco.htm
Esse texto do Fernando Pessoa mostra bem a falácia do socialismo. A importância da sociedade é uma farsa! A esquerda fala que o homem é um ser social. Só que o homem, antes de ser um ser social, é um ser natural.
O homem, como ser natural, caminha para ambientes que supram suas necessidades. Não só física como espirituais, é por isso que alguns vão se divertir em autódromos, outros em campos de golfe, e etc. Essa coincidência da realização do ser é que formam as tais sociedades.
Nós não vamos a autódromos porque precisa ajudar a pagar o leite das crianças de um mecânico, embora indiretamente faça isso. O socialismo eleva o fim social acima do fim individual. Ou seja, se você for necessário para pagar o leite do filho do cara que corta a grama no campo de golfe, você tem que ir pro campo de golfe e ficar lá. Nem que seja necessário um muro para você não fugir.
O B A N Q U E I R O A N A R Q U I S T A
(Texto Completo) – Fernando Pessoa
Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa. A conversa, que fora amortecendo, jazia morta entra nós. Procurei reanimá-la, ao acaso, servindo-me de uma idéia que me passou pela meditação. Voltei-me para ele, sorrindo.
- É verdade: disseram-me há dias que V. em tempos foi anarquista…
- Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista.
- Essa é boa! V. anarquista! Em que é que V. é anarquista?… Só se V. dá à palavra qualquer sentido diferente…
- Do vulgar? Não; não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar.
- Quer V. dizer, então, que é anarquista exatamente no mesmo sentido em que são anarquistas esses tipos das organizações operárias? Então entre V. e esses tipos da bomba e dos sindicatos não há diferença nenhuma?
- Diferença, diferença, há… Evidentemente que há diferença. Mas não é a que V. julga. V. duvida talvez que as minhas teorias sociais sejam iguais às deles?…
- Ah, já percebo! V., quanto às teorias, é anarquista; quanto à prática…
- Quanto à prática sou tão anarquista como quanto às teorias. E quanto à prática sou mais, sou muito mais, anarquista que esses tipos que V. citou. Toda a minha vida o mostra.
- Hein?!
- Toda a minha vida o mostra, filho. V. é que nunca deu a esta cousas uma atenção lúcida. Por isso lhe parece que estou dizendo uma asneira, ou então estou brincando consigo.
- Ó homem, eu não percebo nada!… A não ser…, a não ser que V. julgue a sua vida dissolvente e anti-social e dê esse sentido ao anarquismo…
- Já lhe disse que não – isto é, já lhe disse que não dou à palavra anarquismo um sentido diferente do vulgar.
- Está bem… Continuo sem perceber… Ó homem, V. quer-me dizer que não há diferença entre as suas teorias verdadeiramente anarquistas e a prática da sua vida – a prática da sua vida como ela é agora? V. quer que eu acredite que V. tem uma vida exatamente igual à dos tipos que vulgarmente são anarquistas?
- Não; não é isso. O que eu quero dizer é que entre as minhas teorias e a prática da minha vida não há divergência nenhuma, mas uma conformidade absoluta. Lá que não tenho uma vida como a dos tipo dos sindicatos e das bombas – isso é verdade. Mas é a vida deles que está fora do anarquismo, fora dos ideais deles. A minha não. Em mim – sim, em mim, banqueiro, grande comerciante, açambarcador se V. quiser -, em mim a teoria e a prática do anarquismo estão conjuntas e ambas certas. V. comparou-me a esses parvos dos sindicatos e das bombas para indicar que sou diferente deles. Sou, mas a diferença é esta: eles (sim, eles e não eu) são anarquistas só na teoria; eu sou-o na teoria e na prática. Eles são anarquistas e estúpidos, eu anarquista e inteligente. Isto é, meu velho, eu é que sou o verdadeiro anarquista. Eles – os dos sindicatos e das bombas (eu também lá estive e saí de lá exatamente pelo meu verdadeiro anarquismo) – eles são o lixo do anarquismo, os fêmeas da grande doutrina libertária.
- Essa nem ao diabo a ouviram! Isso é espantoso! Mas como concilia V. a sua vida – quero dizer a sua vida bancária e comercial – coma as teorias anarquistas? Como o concilia V., se diz que por teoria anarquista entende exatamente o que os anarquistas vulgares entendem? E V., ainda por cima, me diz que é diferente deles por ser mais anarquista do que eles – não é verdade?
- Exatamente.
- Não percebo nada.
- Mas V. tem empenho em perceber?
- Todo o empenho.
Ele tirou da boca o charuto, que se apagara; reacendeu-o lentamente; tirou o fósforo que se extinguia; depô-lo ao de leve no cinzeiro; depois, erguendo a cabeça, um momento abaixada, disse:
- Oiça. Eu nasci do povo e na classe operária da cidade. De bom não herdei, como pode imaginar, nem a condição, nem as circunstâncias. Apenas me aconteceu ter uma inteligência naturalmente lúcida e uma vontade um tanto ou quanto forte. Mas esses eram doms naturais, que o meu baixo nascimento me não podia tirar.
“Fui operário, trabalhei, vivi uma vida apertada; fui, em resumo, o que a maioria da gente é naquele meio. Não digo que absolutamente passasse fome, mas andei lá perto. De resto, podia tê-la passado, que isso não alterava nada do que se seguiu, ou do que lhe vou expor, nem do que foi a minha vida, nem do que ela é agora.”
“Fui um operário vulgar, em suma; como todos, trabalhava porque tinha que trabalhar, e trabalhava o menos possível. O que eu era, era inteligente. Sempre que podia, lia coisas, discutia coisas, e, como não era tolo, nasceu-me uma grande insatisfação e uma grande revolta contra o meu destino e contra as condições sociais que o faziam assim. Já lhe disse que, em boa verdade, o meu destino podia ter sido pior do que era; mas naquela altura parecia-me a mim que eu era um entre a quem a Sorte tinha feito todas as injustiças juntas, e que se tinha servido das convenções sociais para mas fazer. Isto era aí pelos meus vinte anos – vinte e um o máximo – que foi quando me tornei anarquista.”
Parou um momento. Voltou-se um pouco mais para mim. Continuou, inclinando-se mais um pouco.
- Fui sempre mais ou menos lúcido. Senti-me revoltado. Quis perceber a minha revolta. Tornei-me anarquista consciente e convicto – o anarquista consciente e convicto que hoje sou.
- E a teoria, que V. tem hoje, é a mesma que tinha nessa altura?
- A mesma. A teoria anarquista, a verdadeira teoria, é só uma. Tenho a que sempre tive, desde que me tornei anarquista. V. já vai ver… Ia eu dizendo que, como era lúcido por natureza, me tornei anarquista consciente. Ora o que é um anarquista? É um revoltado contra a injustiça de nascermos desiguais socialmente – no fundo é só isto. E de aí resulta, como é de ver, a revolta contra as convenções sociais que tornam essa desigualdade possível. O que lhe estou indicando agora é o caminho psicológico, isto é, como é que a gente se torna anarquista; já vamos à parte teórica do assunto. Por agora, compreenda V. bem qual seria a revolta de um tipo inteligente nas minhas circunstâncias. O que é que ele vê pelo mundo? Um nasce filho de um milionário, protegido desde o berço contra aqueles infortúnios – e não são poucos – que o dinheiro pode evitar ou atenuar; outro nasce miserável, a ser, quando criança, uma boca a mais numa família onde as bocas são de sobra para o comer que pode haver. Um nasce conde ou marquês, e tem por isso a consideração de toda a gente, faça ele o que fizer; outro nasce assim como eu, e tem que andar direitinho como um prumo para ser ao menos tratado como gente. Uns nascem em tais condições que podem estudar, viajar, instruir-se – tornar -se (pode-se dizer) mais inteligentes que outros que naturalmente o são mais. E assim por aí adiante, e em tudo…
“As injustiças da Natureza, vá: não as podemos evitar. Agora as da sociedade e das suas convenções – essas, por que não evitá-las? Aceito – não tenho mesmo outro remédio – que um homem seja superior a mim por o que a Natureza lhe deu – o talento, a força, a energia; não aceito que ele seja meu superior por qualidades postiças, com que não saiu do ventre da mãe, mas que lhe aconteceram por bambúrrio logo que ele apareceu cá fora – a riqueza, a posição social, a vida facilitada, etc. Foi da revolta que lhe estou figurando por estas considerações que nasceu o meu anarquismo de então – o anarquismo que, já lhe disse, mantenho hoje sem alteração nenhuma.”
Parou outra vez um momento, como a pensar como prosseguiria. Fumou e soprou o fumo lentamente, para o lado oposto ao meu. Voltou-se, e ia a prosseguir. Eu, porém, interrompi-o.
- Uma pergunta, por curiosidade… Por que é que V. se tornou propriamente anarquista? V. podia ter-se tornado socialista, ou qualquer outra cousa avançada que não fosse tão longe. Tudo isso estava dentro da sua revolta… Deduzo do que V. disse que por anarquismo V. entende (e acho que está bem como definição do anarquismo) a revolta contra todas as convenções e fórmulas sociais e o desejo e esforço para a abolição de todas…
- Isso mesmo.
- Por que escolheu V. essa fórmula extrema e não se decidiu por qualquer das outras… das intermédias?…
- Eu lhe digo. Eu meditei tudo isso. É claro que nos folhetos que eu lia via todas essas teorias. Escolhi a teoria anarquista – a teoria extrema, como V. muito bem diz – pelas razões que vou dizer em duas palavras.
Fitou um momento cousa nenhuma. Depois voltou-se para mim.
- O mal verdadeiro, o único mal, são as convenções e as ficções sociais, que se sobrepõem às realidades naturais – tudo, desce a família ao dinheiro, desde a religião ao Estado. A gente nasce homem ou mulher – quero dizer, nasce para ser, em adulto, homem ou mulher; não nasce, em boa justiça natural, nem para ser marido, nem para ser rico ou pobre, como também não nasce para ser católico ou protestante, ou português ou inglês. É todas estas coisas em virtude das ficções sociais. Ora essas ficções sociais são más por quê? Porque são ficções, porque não são naturais. Tão mau é o dinheiro como o Estado, a constituição de família como as religiões. Se houvesse outras, que não fossem estas, seriam igualmente más, porque também seriam ficções, porque também se sobreporiam e estorvariam as realidades naturais. Ora qualquer sistema que não seja o puro sistema anarquista, completamente, é uma ficção também. Empregar todo o nosso desejo, todo o nosso esforço, toda a nossa inteligência para implantar, ou contribuir para implantar, uma ficção social em vez de outra, é um absurdo, quando não seja mesmo um crime, porque é fazer uma perturbação social com o fim expresso de deixar tudo na mesma. Se achamos injustas as ficções sociais, porque esmagam e oprimem o que é natural no homem, para que empregar o nosso esforço em substituir-lhes outras ficções, se o podemos empregar para as destruir todas?
“Isto parece-me que é concludente. Mas suponhamos que o não é; suponhamos que nos objetam que isto tudo estará muito certo, mas que o sistema anarquista não é realizável na prática. Vamos lá a examinar essa parte do problema.”
“Por que é que o sistema anarquista não seria realizável? Nós partimos, todos os avançados, do princípio, não só de que o atual sistema é injusto, mas de que há vantagem, porque há injustiça, em substituí-lo por outro mais justo. Se não pensamos assim, não somos avançados, mas burgueses. Ora de onde vem este critério de justiça? Do que é natural e verdadeiro, em oposição às ficções sociais e às mentiras da convenção. Ora o que é natural é o que é inteiramente natural, não é metade, ou um quarto, ou um oitavo de natural. Muito bem. Ora, de duas coisas, uma: ou o natural é realizável socialmente ou não é; em outras palavras, ou a sociedade pode ser natural, ou a sociedade é essencialmente ficção e não pode ser natural de maneira nenhuma. Se a sociedade pode ser natural, então pode haver a sociedade anarquista, ou livre, e deve haver, porque é ela a sociedade inteiramente natural. Se a sociedade não pode ser natural, se (por qualquer razão que não importa) tem por força que ser ficção, então do mal o menos; façamo-la, dentro desse ficção inevitável, o mais natural possível. Qual é a ficção mais natural? Nenhuma é natural em si, porque é ficção; a mais natural, neste nosso caso, será aquela que pareça mais natural, que se sinta como mais natural? É aquela que estamos habituados. (V. compreende: o que é natural é o que é do instinto; e o que não sendo instinto, se parece em tudo com o instinto é o hábito. Fumar não é natural, não é uma necessidade do instinto). Ora qual é a ficção social que constitui um hábito nosso? É o atual sistema, o sistema burguês. Temos pois, em boa lógica, que ou achamos a sociedade natural, e seremos defensores do anarquismo; ou não a julgamos possível, e seremos defensores do regime burguês. Não há hipótese intermédia. Percebeu?…”
- Sim, senhor; isso é concludente.
- Ainda não é bem concludente… Ainda há uma outra objeção, do meu gênero, a liquidar… Pode concordar-se que o sistema anarquista é realizável, mas pode duvidar-se que ele seja realizável de chofre – isto é, que se possa passar da sociedade burguesa para a sociedade livre sem haver um ou mais estados ou regimes intermédios. Quem fizer essa objeção aceita como boa, e como realizável, a sociedade anarquista; mas palpita-lhe que tem que haver um estado qualquer de transição entre a sociedade burguesa e ela.
“Ora muito bem. Suponhamos que assim é. O que é esse estado intermédio? O nosso fim é a sociedade anarquista, ou livre; esse intermédio só pode ser, portanto, um estado de preparação da humanidade para a sociedade livre. Essa preparação ou é material, ou é simplesmente mental; isto é, ou é uma série de realizações materiais ou sociais que vão adaptando a humanidade à sociedade livre, ou é uma simples propaganda gradualmente crescente e influente, que vai preparando mentalmente a desejá-la ou aceitá-la.”
“Vamos ao primeiro caso, a adaptação gradual e material da humanidade à sociedade livre. É impossível; é mais que impossível: é absurdo. Não há adaptação material senão uma cousa que já há. Nenhum de nós se pode adaptar materialmente ao meio social do século XXIII, mesmo que saiba o que ele será; e não se pode adaptar materialmente porque o século XXIII e o seu meio social não existem materialmente ainda. Assim, chegamos à conclusão que, na passagem da sociedade burguesa para a sociedade livre, a única parte que pode haver de adaptação, de evolução ou de transição é mental, é a gradual adaptação dos espíritos à idéia da sociedade livre… Em todo o caso, no campo da adaptação material, ainda há uma hipótese…”’
- Irra com tanta hipótese!…
- Ó filho, o homem lúcido tem que examinar todas as objeções possíveis e de as refutar, antes de se poder dizer seguro da sua doutrina. E, de mais a mais, isto tudo é em resposta a uma pergunta que V. me fez…
- Está bem.
- No campo da adaptação material, dizia eu, há em todo o caso um outra hipótese. É a da ditadura revolucionária.
- Da ditadura revolucionária como?
- Como eu lhe expliquei, não pode haver adaptação material a uma coisa que não existe, materialmente, ainda. Mas se, por um movimento brusco, se fizer a revolução social, fica implantada já, não a sociedade livre (porque para essa não pode a humanidade ter ainda preparação), mas uma ditadura daqueles que querem implantar a sociedade livre. Mas existe já , ainda que em esboço ou em começo, existe já materialmente qualquer coisa da sociedade livre. Há já portanto uma coisa material, a que a humanidade se adapte. É este o argumento com que as bestas que defendem a “ditadura do proletariado” a defenderiam se fossem capazes de argumentar ou de pensar. O argumento, é claro, não é deles: é meu. Ponho-o, como objeção, a mim mesmo. E, como lhe vou mostrar…, é falso.
“Um regime revolucionário, enquanto existe, e seja qual for o fim a que visa ou a idéia que o conduz, é materialmente só uma coisa – um regime revolucionário. Ora um regime revolucionário quer dizer uma ditadura de guerra, ou, nas verdadeira palavras, um regime militar despótico, porque o estado de guerra é imposta à sociedade por uma parte dela – aquela parte que assumiu revolucionariamente o poder. O que é que resulta? Resulta que quem se adaptar a esse regime, como a única coisa que ele é materialmente, imediatamente, é um regime militar despótico, adapta-se a um regime militar despótico. A idéia, que conduziu os revolucionários, o fim, a que visaram, desapareceu por completo da realidade social, que é ocupada exclusivamente pelo fenômeno guerreiro. De modo que o que sai de uma ditadura revolucionária – e tanto mais completamente sairá, quanto mais tempo essa ditadura durar – é uma sociedade guerreira do tipo ditatorial, isto é, um despotismo militar. Nem mesmo podia ser outra coisa. E foi sempre assim. Eu não sei muita história, mas o que sei acerta com isto; nem podia deixar de acertar. O que saiu das agitações políticas de Roma? O Império Romano e seu despotismo militar. O que saiu da Revolução Francesa? Napoleão e seu despotismo militar. E V. verá o que sai da Revolução Russa… Qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre… Também o que era de se esperar de um povo de analfabetos e de místicos?…”
“Enfim, isto já está fora de conversa… V. percebeu o meu argumento?”
- Percebi perfeitamente.
- V. compreende portanto que eu cheguei a esta conclusão: Fim: a sociedade anarquista, a sociedade livre; meio: a passagem, sem transição, da sociedade burguesa para a sociedade livre. Esta passagem seria preparada e tornada possível por uma propaganda intensa, completa, absorvente, de modo a predispor todos os espíritos e enfraquecer todas as resistências. É claro que por “propaganda” não entendo só a pela palavra escrita e falada: entendo tudo, ação indireta ou direta, quanto pode predispor para a sociedade livre e enfraquecer a resistência à sua vinda. Assim, não tendo quase resistência nenhuma que vencer, a revolução social, quando viesse, seria rápida, fácil, e não teria que estabelecer nenhuma ditadura revolucionária, por não ter contra quem aplica-la. Se isto não pode ser assim, é que o anarquismo é irrealizável; e, se o anarquismo é irrealizável, só é defensável e justa, como já lhe provei, a sociedade burguesa.”
“Ora aí tem V. por que e como eu me tornei anarquista, e por que e como rejeitei, como falsas e anti-naturais, as outras doutrinas sociais de menor ousadia.”
“E pronto… Vamos lá continuar a minha história.”
Fez explodir um fósforo, e acendeu lentamente o charuto. Concentrou-se, e de aí a pouco prosseguiu.
Havia vários outros rapazes com as mesmas opiniões que eu. A maioria era de operários, mas havia um ou outro que o não era; o que todos éramos era pobres, e, que me lembre, não éramos muito estúpidos. A gente tinha uma certa vontade de propaganda, de espalhar as nossas idéias. Queríamos para nós e para os outros – para a humanidade inteira – uma sociedade nova, livre destes preconceitos todos, que fazem os homens desiguais artificialmente e lhes impõem inferioridades, sofrimentos, estreitezas, que a Natureza lhes não tinha imposto. Por mim, o que eu lia confirmava-me nestas opiniões. Em livros libertários baratos – os que havia ao tempo, e eram já bastantes – li quase tudo. Fui a conferências e comícios dos propagandistas do tempo. Cada livro e cada discurso me convencia mais da certeza e da justiça das minhas idéias. O que eu pensava então – repito-lhe, meu amigo – é o que penso hoje, a única diferença é que então pensava-o só, hoje penso-o e pratico-o.
- Pois sim; isso, até onde vai, está muito bem. Está muito certo que V. se tornasse anarquista assim, e vejo perfeitamente que V. era anarquista. Não preciso mais provas disso…, como é que saiu de aí sem contradição… Isto é, mais ou menos já calculo…
- Não, não calcula nada… Eu sei o que V. quer dizer… V. baseia-se nos argumentos que acaba de ouvir, e julga que eu achei o anarquismo irrealizável e por isso, como lhe disse, só defensável e justa a sociedade burguesa – não é?…
- Sim, calculei que fosse mais ou menos isso…
- Mas como o podia ser, se desde o princípio da conversa lhe tenho dito e repetido que sou anarquista, que não só o fui mas o continuo sendo? Se eu me tivesse tornado banqueiro e comerciante pela razão que V. julga, eu não era anarquista, era burguês.
- Sim, V. tem razão… Mas então como diabo…? Vá lá, vá dizendo…
- Como lhe disse, eu era (fui sempre) mais ou menos lúcido, e também um homem de ação. Essas são qualidades naturais; não mas puseram no berço (se é que tive berço), eu é que as levei para lá. Pois bem. Sendo anarquista, eu achava insuportável ser anarquista passivamente, só para ir ouvir discursos e falar nisso com os amigos. Não: era preciso fazer qualquer coisa! Era preciso trabalhar e lutar pela causa dos oprimidos e das vítimas das convenções sociais! Decidi meter ombros a isso, conforme pudesse. Pus-me a pensar como é que eu poderia ser útil à causa libertária. Pus-me a traçar o meu plano de ação.
“O que quer o anarquista? Liberdade – a liberdade para si e para os outros, para a humanidade inteira. Quer estar livre da influência ou da pressão das ficções sociais; quer ser livre tal qual nasceu e pareceu no mundo, que é como em justiça deve ser; e quer essa liberdade para si e para todos os mais. Nem todos podem ser iguais perante a Natureza: uns nascem altos, outros baixos; uns fortes, outros fracos; uns mais inteligentes, outros menos… Mas todos podem ser iguais de aí em diante; só as ficções sociais o evitam. Essas ficções sociais é que era preciso destruir.”
“Era preciso destruí-las… Mas não me escapou uma coisa: era preciso destruí-las… mas em proveito da liberdade, e tendo sempre em vista a criação da sociedade livre. Porque isso de destruir as ficções sociais tanto pode ser para criar liberdade, ou preparar o caminho da liberdade, como para estabelecer outras ficções sociais diferentes, igualmente más porque igualmente ficções. Aqui é que era preciso cuidado. Era preciso acertar com um processo de ação, qualquer que fosse a sua violência ou a sua não-violência (porque contra as injustiças sociais tudo era legítimo), pelo qual se contribuisse para destruir as ficções sociais sem, ao mesmo tempo, estorvar a criação da liberdade futura; criando já mesmo, caso fosse possível, alguma coisa da liberdade futura.
“É claro que esta liberdade, que deve haver cuidado em não estorvar, é a liberdade futura e, no presente, a liberdade dos oprimidos pelas ficções sociais. Claro está que não temos que olhar a não estorvar a “liberdade” dos poderosos, dos bem situados, de todos que representam as ficções sociais e têm vantagens delas. Essa não é liberdade; é a liberdade de tiranizar, que é o contrário da liberdade. Essa pelo contrário, é o que mais devíamos pensar em estorvar e
em combater. Parece-me que isto está claro…”
- Está claríssimo. Continue…
- Para quem quer o anarquismo a liberdade? Para a humanidade inteira. Qual é a maneira de se conseguir a liberdade para a humanidade inteira? Destruir por completo todas as ficções sociais? Já lhe antecipei a explicação, quando, por causa da sua pergunta, discuti os outros sistemas avançados e lhe expliquei como e por que era anarquista… V. lembra-se da minha conclusão?…
- Lembro…
- … Uma revolução social súbita, brusca, esmagadora, fazendo a sociedade passar, de um salto, do regime burguês para a sociedade livre. Esta revolução social preparada por um trabalho intenso e contínuo, de ação direta e indireta, tendente a dispor todos os espíritos para a vinda da sociedade livre, e a enfraquecer até ao estado comatoso todas as resistências da burguesia. Escuso de lhe repetir as razões que levam inevitavelmente a esta conclusão, a dentro do anarquismo; já lhe expus e V. já a percebeu.
- Sim.
- Essa revolução seria preferivelmente mundial, simultânea em todos os pontos, ou os pontos importantes, do mundo; ou não sendo assim, partindo rapidamente de uns para outros, mas em todo o caso, em cada ponto, isto é, em cada nação, fulminante e completa.
“Muito bem. O que poderia eu fazer para esse fim? Só por mim, não a poderia fazer a ela, à revolução mundial, nem mesmo poderia fazer a revolução completa na parte referente ao país onde estava. O que podia era trabalhar, na inteira medida do meu esforço, para fazer a preparação para essa revolução. Já lhe expliquei como: combatendo, por rodos os meios acessíveis, as ficções sociais; não estorvando nunca ao fazer esse combate ou a propaganda da sociedade livre, nem a liberdade futura, nem a liberdade presente dos oprimidos; criando já, sendo possível, qualquer coisa da futura liberdade.”’
Puxou fumo; fez uma leve pausa; recomeçou.
- Ora aqui, meu amigo, pus eu a minha lucidez
em ação. Trabalhar para o futuro, está bem, pensei eu; trabalhar para os outros terem liberdade, está certo. Mas então eu? Eu não sou ninguém? Se eu fosse cristão, trabalhava alegre mente pelo futuro dos outros, porque lá tinha a minha recompensa no céu; mas também, se eu fosse cristão, não era anarquista, porque então as tais desigualdades sociais não tinham importância na nossa curta vida: eram só condições da nossa provação, e lá seriam compensadas na vida eterna. Mas eu não era cristão, como não sou, e perguntava-me: mas por quem é que eu vou me sacrificar nisto tudo? Mais ainda: por que é que eu me vou sacrificar?
“Vieram-me momentos de descrença; e V. compreende que era justificada… Sou materialista, pensava eu; não tenho mais vida que esta; para que hei de ralar-me com propagandas e desigualdades sociais, e outras histórias, quando posso gozar e entreter-me muito mais se não me preocupar com isso? Quem tem só esta vida, quem não crê na vida eterna, quem não admite lei senão a Natureza, quem se opõe ao Estado porque ele não é natural, ao casamento porque ele não é natural, ao dinheiro porque ele não é natural, porque cargas-d’água é que defende o altruísmo e o sacrifício pelos outros, ou pela humanidade, se o altruísmo e o sacrifício também não são naturais? Sim, a mesma lógica que me mostra que um homem não nasce para ser casado, ou para ser português, ou para ser rico ou pobre, mostra-me também que ele não nasce para ser solidário, que ele não nasce senão para ser ele-próprio, e portanto o contrário de altruísta e solidário, e portanto exclusivamente egoísta.”
“Eu discuti a questão comigo mesmo. Repara tu, dizia eu para mim, que nascemos pertencentes à espécie humana, e que temos o dever de ser solidários com todos os homens. Mas a idéia de `dever’ era natural? De onde é que vinha esta idéia de `dever’? Se esta idéia de dever me obrigava a sacrificar o meu bem-estar, a minha comodidade, o meu instinto de conservação e outros meus instintos naturais, em que divergia a ação dessa idéia da ação de qualquer ficção social, que produz em nós exatamente o mesmo efeito?”
“Esta idéia de dever, isto de solidariedade humana; só podia considerar-se natural se trouxesse consigo uma compensação egoísta, porque então, embora em princípio contrariasse o egoísmo natural, se dava a esse egoísmo uma compensação, sempre, no fim de contas, o não contrariava. Sacrificar um prazer, simplesmente sacrificá-lo, não é natural; sacrificar um prazer a outro, é que já está dentro da Natureza: é, entre duas cousas naturais que se não podem ter ambas, escolher uma, o que está bem. Ora que compensação egoísta, ou natural, podia dar-me a dedicação à causa da sociedade livre e da futura felicidade humana? Só a consciência de dever cumprido, do esforço para um fim bom; e nenhuma destas coisas é uma compensação egoísta, nenhuma destas coisas é um prazer em si, mas um prazer, se o é, nascido de uma ficção social, como pode ser o prazer de ser imensamente rico, ou o prazer de ter nascido em um boa posição social.”
“Confesso-lhe, meu velho, que me vieram momentos de descrença… Senti-me desleal à minha própria doutrina, traidor a ela… Mas em breve passei sobre tudo isto. A idéia de justiça cá estava, dentro de mim, pensei eu. Eu sentia-a natural. Eu sentia que havia um dever superior à preocupação só cá do meu destino. E fui para diante na minha intenção.”
- Não me parece que essa decisão revelasse uma grande lucidez da sua parte… V. não resolveu a dificuldade… V. foi para diante por um impulso absolutamente sentimental…
- Sem dúvida. Mas o que lhe estou contando agora é a história de como me tornei anarquista, e de como o continuei sendo, e continuo. Vou-lhe expondo lealmente as hesitações e as dificuldades que tive, e como as venci. Concordo que, naquele momento, venci a dificuldade lógica com o sentimento, e não com o raciocínio. Mas V. há de ver que, mais tarde, quando cheguei à plena compreensão da doutrina anarquista, esta dificuldade, até então logicamente sem resposta, teve a sua solução completa e absoluta.
- É curioso…
- É… Agora deixe-me continuar na minha história. Tive esta dificuldade, e resolvi-a se bem que mal, como lhe disse. Logo a seguir, e na linha dos meus pensamentos, surgiu-me outra dificuldade que também me atrapalhou bastante.
“Estava bem – vamos lá – que estivesse disposto a sacrificar-me, sem recompensa nenhuma propriamente pessoal, isto é, sem recompensa nenhuma verdadeiramente natural. Mas suponhamos que a sociedade futura não dava em nada do que eu esperava, que nunca havia a sociedade livre, e que diabo é que eu, nesse case, me estava sacrificando? Sacrificar-me a uma idéia sem recompensa pessoal, sem eu ganhar nada com o meu esforço por essa idéia, vá; mas sacrificar-me sem ao menos ter a certeza de que aquilo para que eu trabalhava, existiria um dia, sem que a própria idéia ganhasse com o meu esforço – isso era um pouco mais forte… Desde já lhe digo que resolvi a dificuldade pelo mesmo processo sentimental por que resolvi a outra; mas advirto-o também que, do mesmo modo que a outra, resolvi esta pela lógica, automaticamente, quando cheguei ao estado plenamente consciente do meu anarquismo… V. depois verá… Na altura do que lhe estou contando, saí-me do apuro com uma ou duas frases ocas. `Eu fazia o meu dever para com o futuro; o futuro que fizesse o seu para comigo’… Isto, ou cousa que o valha…”
“Expus esta conclusão, ou, antes estas conclusões, aos meus camaradas, e eles concordaram todos comigo concordaram todos que era preciso ir para a frente e fazer tudo pela sociedade livre. É a verdade que um ou outro, dos mais inteligentes, ficaram um pouco abalados com a exposição, não porque não concordassem, mas porque nunca tinham visto as coisas assim claras, nem os bicos que estas coisas têm… Mas enfim, concordaram todos… Iríamos todos trabalhar pela grande revolução social, pela sociedade livre, quer o futuro nos justificasse, quer não! Formamos um grupo, entre gente certa, e começamos uma grande propaganda – grande, é claro, dentro dos limites doo que podíamos fazer. Durante bastante tempo, no meio de dificuldades, embrulhadas, e por vezes perseguições, lá fomos trabalhando pelo ideal anarquista.”
O banqueiro, chegado aqui, fez uma pausa um pouco mais longa. Não acendeu o charuto, que estava outra vez apagado. De repente teve um leve sorriso, e, com o ar de quem chega ao ponto importante, fitou-me com mais insistência e prosseguiu, clarificando mais a voz e acentuando mais as palavras.
- Nesta altura, disse ele, apareceu uma coisa nova. “Nesta altura” é modo de dizer. Quero dizer que, depois de alguns meses desta propaganda, comecei a reparar numa nova complicação, e esta é que era a mais séria de todas, esta é que era séria a valer…
“V. recorda-se, não é verdade? Daquilo em que eu, por um raciocínio rigoroso, assentei que devia ser o processo de ação dos anarquistas… Um processo, ou processos, quaisquer pelo qual se contribuisse para destruir as ficções sociais sem, ao mesmo tempo, estorvar a criação da liberdade futura, sem, portanto, estorvar em coisa nenhuma a pouca liberdade dos atuais oprimidos pelas ficções sociais; um processo que, sendo possível, criasse já alguma coisa da liberdade futura…”
“Pois bem: uma vez assente este critério, nunca mais deixei de o ter presente… Ora, na altura da nossa propaganda em que estou falando, descobri uma coisa. No grupo de propaganda – não éramos muitos; éramos quarenta, salvo erro – dava-se este caso: criava-se tirana.”
- Criava-se tirania?… Criava-se tirania como?
- Da seguinte maneira… Uns mandavam em outros e levavam-nos para onde queriam; uns impunham-se a outros e obrigavam-nos a ser o que eles queriam; uns arrastavam outros por manhas e por artes para onde eles queriam. Não digo que fizessem isto em coisas graves; mesmo, não havia coisas graves ali em que o fizessem. Mas o fato é que isto acontecia sempre e todos os dias, e dava-se não só em assuntos relacionados com a propaganda, como fora deles, em assuntos vulgares da vida. Uns iam insensivelmente para chefes, outros insensivelmente para subordinados. Uns eram chefes por imposição; outros eram chefes por manha. No fato mais simples isto se via. Por exemplo: dois dos rapazes iam juntos por uma rua fora; chegavam ao fim da rua, e um tinha que ir para a direita e outro para a esquerda; cada um tinha conveniência em ir para o seu lado. Mas o que ia para a esquerda dizia para o outro, “venha V. comigo por aqui”; o outro respondia, e era verdade, “Homem, não posso; tenho que ir por ali” por esta ou aquela razão… Mas afinal, contra sua vontade e sua conveniência, lá ia com o outro para a esquerda… Isto era uma vez por persuasão, outra vez por simples insistência, uma terceira vez por um outro motivo qualquer… Isto é, nunca era por uma razão lógica; havia sempre nesta imposição e nesta subordinação qualquer coisa de espontâneo, de como que instintivo… E como neste caso simples, em todos os outros casos; desde os menos até aos mais importantes… V. vê bem o caso?
- Vejo. Mas que diabos há de estranho nisso? Isso é tudo quanto há de mais natural…
- Será. Já vamos a isso. O que lhe peço que note é que é exatamente o contrário da doutrina anarquista. Repare bem que isto se passava num grupo pequeno, num grupo sem influência nem importância, num grupo a quem não estava confiada a solução de nenhuma questão grave ou decisão sobre qualquer assunto de vulto. E repare que se passava num grupo de gente que se unira especialmente para fazer o que pudesse para o fim anarquista – isto é, para combate, tanto quando possível, as ficções sociais, e criar, tanto quando possível, a liberdade futura. V. reparou bem nestes dois pontos?
- Reparei.
- Veja agora bem o que isto representa… Um grupo pequeno, de gente sincera (garanto-lhe que era sincera!), estabelecido e unido expressamente para trabalhar pela causa da liberdade, tinha, no fim de uns meses, conseguido só uma coisa de positivo e concreto – a criação entre si de tirania. E repare que tirania… Não era uma tirania derivada da ação das ficções sociais, que, embora lamentável, seria desculpável, até certo ponto, ainda que menos em nós, que combatíamos essas ficções, que em outras pessoas; mas enfim, vivíamos em meio de uma sociedade baseada nessas ficções e não era inteiramente culpa nossa se não pudéssemos de todo fugir à sua ação. Mas não era isso. Os que mandavam nos outros, ou os levavam para onde queriam, não faziam isso pela força do dinheiro, ou da posição social, ou de qualquer autoridade de natureza fictícia, que se arrogassem; faziam-no por uma ação de qualquer espécie fora das ficções sociais, uma tirania nova. E era uma tirania exercida sobre gente essencialmente oprimida já pelas ficções sociais. Era, ainda por cima, tirania exercida entre si por gente cujo intuido sincero não era senão destruir tirania e criar liberdade.
“Agora ponha o caso num grupo muito maior, muito mais influente, tratando já de questões importantes e de decisões de caráter fundamental. Ponha esse grupo a encaminha os seus esforços, como o nosso, para a formação de um sociedade livre. E agora diga-me se através desse carregamento de tiranias entrecruzadas V. entrevê qualquer sociedade futura que se pareça com uma sociedade livre ou com um humanidade digna de si própria…”’
- Sim: isso é muito curioso…
- É curioso, não é?…E olhe que há pontos secundários também muito curiosos… Por exemplo: a tirania do auxílio…
- A quê?
- A tirania do auxílio. Havia entre nós quem, em vez de mandar nos outros, em vez de se impor aos outros, pelo contrário os auxiliava em tudo quanto podia. Parece o contrário, não é verdade? Pois olhe que é o mesmo. É a mesma tirania nova. É do mesmo modo ir contra os princípios anarquistas.
- Essa é boa? Em quê?
- Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, e isto é, no primeiro caso uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade.
“Voltemos ao nosso caso… V. vê bem que este ponto era gravíssimo. Vá que trabalhássemos pela sociedade futura sem esperarmos que ela nos agradecesse, ou arriscando-nos, mesmo, a que ela nunca viesse. Tudo isso, vá. Mas o que era demais era estarmos trabalhando para um futuro de liberdade e não fazermos, de positivo, mais que criar tirania, e não só tirania, mas tirania nova, e tirania exercida por nós, os oprimidos, uns sobre os outros. Ora isto é que não pode ser…”
“Pus-me a pensar. Aqui havia um erro, um desvio qualquer. Os nossos intuitos eram bons; as nossas doutrinas pareciam certas; seriam errados os nossos processos? Com certeza que deveriam ser. Mas onde diabo estava o erro? Pus-me a pensar nisso e ia dando
em doido. Um dia, de repente, como acontece sempre nestas coisas, dei com a solução. Foi o grande dia das minhas teorias anarquistas; o dia em que descobri, por assim dizer, a técnica do anarquismo.”
Olhou-me um momento sem me olhar. Depois continuou, no mesmo tom.
- Pensei assim… Temos aqui uma tirania nova, uma tirania que não é derivada das ficções sociais. Então de onde é que ela derivada? Será derivada das qualidades naturais? Se é, adeus sociedade livre! Se uma sociedade onde estão em operação apenas as qualidades naturais dos homens – aquelas qualidades com que eles nascem, que devem só à Natureza, e sobre as quais não temos poder nenhum -, se uma sociedade onde estão em operação apenas essas qualidades é um amontoado de tiranias, quem é que vai mexer o dedo mínimo para contribuir para a vinda dessa sociedade? Tirania por tirania, fique a que está, que ao menos é aquela a que estamos habituados, e que por isso fatalmente sentimos menos que estaríamos uma tirania nova, e com o caráter terrível de todas as coisas tirânicas que são diretamente da Natureza – o não haver revolta possível contra ela, como não há revolução contra ter que morrer, ou contra nascer baixo quando se preferia ter nascido alto. Mesmo, eu já lhe provei que, se por qualquer razão não é realizável a sociedade anarquista, então deve existir, por ser mais natural que qualquer outra salvo aquela, a sociedade burguesa.
“Mas seria esta tirania, que nascia assim entre nós, realmente derivada das qualidades naturais? Ora o que são as qualidades naturais? São o grau de inteligência, de imaginação, de vontade, etc., com que cada um nasce – isto no campo mental, é claro, porque as qualidades naturais físicas não vêm para o caso. Ora um tipo que, sem ser por uma razão derivada das ficções sociais, manda noutro, por força que o faz por lhe ser superior em uma ou outra das qualidades naturais. Domina-o pelo emprego das suas qualidades naturais. Mas há uma coisa a ver: esse emprego das qualidades naturais será legítimos, isto é, será natural?”
“Ora qual é o emprego natural das nossas qualidades naturais? O servir os fins naturais da nossa personalidade. Ora dominar alguém será um fim natural da nossa personalidade? Pode sê-lo; há um caso em que pode sê-lo: é quando esse alguém está para nós num lugar de inimigo. Para o anarquista, é claro, quem está num lugar de inimigo, é qualquer representante das ficções sociais e da sua tirania; mais ninguém, porque todos os outros homens são homens como ele e camaradas naturais. Ora, V. bem vê, o caso da tirania, que tínhamos estado criando, era exercida sobre homens como nós, camaradas naturais, e, mais ainda, sobre homens duas vezes nossos camaradas, porque o eram também pela comunhão do mesmo ideal. Conclusão: esta nossa tirania, se não era derivada das ficções sociais, também não era derivada das qualidades naturais; era derivada duma aplicação errada, duma perversão, das qualidades naturais. E essa perversão, de onde é que provinha?”
“Tinha que provir de uma de duas cousas: ou de o homem ser naturalmente mau, e portanto todas as qualidades naturais serem naturalmente pervertidas; ou de uma perversão resultante da longa permanência da humanidade numa atmosfera de ficções sociais, todas elas criadoras de tirania, e tendente, portanto, a tornar já instintivamente tirânico o uso mais natural das qualidades mais naturais. Ora, destas duas hipóteses, qual é que seria a verdadeira? De um modo satisfatório – isto é, rigorosamente lógico ou científico – era impossível determinar. O raciocínio não pode entrar com o problema, porque ele é de ordem histórica, ou científica, e depende do conhecimento de fatos. Por seu lado, a ciência também nos não ajuda, porque, por mais longe que recuemos na história, encontramos sempre o homem vivendo sob um ou outro sistema de tirania social, e portanto sempre num estado que nos não permite averiguar como é o homem quando vive em circunstâncias pura e inteiramente naturais. Não havendo maneira de determinar ao certo, temos que pender para o lado da maior probabilidade; e a maior probabilidade está na segunda hipótese. É mais natural supor que a longuíssima permanência da humanidade em ficções sociais criadoras de tirania faça cada homem nascer já com as suas qualidade naturais pervertidas no sentido de tiranizar, do que supor que qualidades naturais podem ser naturalmente pervertidas, o que, de certo modo, representa una contradição. Por isso o pensador decide-se, como eu me decidi, com uma quase absoluta segurança, pela segunda hipótese.”
“Temos, pois, que uma coisa é evidente… No estado social presente não é possível um grupo de homens, por bem intencionados que estejam todos, por preocupados que estejam todos só em combater as ficções sociais e em trabalhar pela liberdade, trabalharem juntos sem que espontaneamente criem entre si tirania, sem criar entre si uma tirania nova, suplementar à das ficções sociais, sem destruir na prática tudo quanto querem na teoria, sem involutariamente estorvar o mais possível o próprio intuito que querem promover. O que há a fazer? É muito simples… É trabalharmos todos para o mesmo fim, mas separados.”
- Separados?
- Sim. V. não seguiu o meu argumento?
- Segui.
- E não acha lógica, não acha fatal esta conclusão?
- Acho, sim, claro… Disse eu: trabalharmos todos para o mesmo fim, mas separados. Trabalharmos todos para o mesmo fim anarquista, cada um contribui com o seu esforço para a destruição das ficções sociais, que é para onde o dirige, e para a criação da sociedade livre do futuro; e trabalhando separados não podemos, de modo nenhum, criar tirania nova, porque nenhum tem ação sobre o outro, e não pode portanto, nem, dominando-o, diminuir-lhe a liberdade, nem, auxiliando-o, apagar-lha.
“Trabalhando assim separados e para o mesmo fim anarquista, temos as duas vontades – a do esforço, e a da não criação de tirania nova. Continuamos unidos, porque o estamos moralmente e trabalhamos do mesmo modo para o mesmo fim; continuamos anarquistas, porque cada um trabalha para a sociedade livre; mas deixamos de ser traidores, voluntários ou involuntários, à nossa cousa, deixamos mesmo de poder sê-lo, porque nos colocamos, pelo trabalho anarquista isolado, fora da influência deletéria das ficções sociais, no seu reflexo hereditário sobre as qualidades que a Natureza deu.”
“É claro que toda esta tática se aplica ao que eu chamei de período de preparação para a revolução social. Arruinadas as defesas burguesas, e reduzida a sociedade inteira ao estado de aceitação das doutrinas anarquistas, faltando só fazer a revolução social, então, para o golpe final, é que não pode continuar a ação separada. Mas nessa altura, já a sociedade livre estará virtualmente chagada; já as coisas serão de outra maneira. A tática a que me refiro só diz respeito à ação anarquista em meio da sociedade burguesa, como agora, como no grupo a que eu pertencia.”
“Era esse – até que enfim! – o verdadeiro processo anarquista. Juntos, nada valíamos, que importasse, e, ainda por cima, nos tiranizávamos, e nos estorvávamos uns aos outros e às nossas teorias. Separados, pouco também conseguiríamos, mas ao menos não estorvávamos a liberdade, não criávamos tirania nova; o que conseguíamos, pouco que fosse, era realmente conseguido, sem desvantagem nem perda. E, de mais a mais, trabalhávamos assim separados, aprendíamos a confiar mais em nós mesmos, a não nos encostarmos uns aos outros, a tornarmo-nos mais livres já, a prepararmo-nos, tanto pessoalmente, como aos outros pelo nosso exemplo, para o futuro.”
“Fiquei radiante com essa descoberta. Fui logo expô-la aos meus camaradas… Foi uma das poucas vezes em que fui estúpido na minha vida. Imagine V. que eu estava tão cheio da minha descoberta que esperava que eles concordassem…”
- Não concordaram, é claro…
- Repontaram, meu amigo, repontaram todos! Uns mais, outros menos, tudo protestou!… Não era isso!… Isso não podia ser!… Mas ninguém dizia o que era ou o que é que havia de ser. Argumentei e argumentei, e, em resposta aos meus argumentos, não obtive senão frases, lixo coisas como essas que os ministros respondem nas câmaras quando não têm resposta nenhuma… Então é que eu vi com que bestas e com que covardões estava metido! Desmascararam-se. Aquela corja tinha nascido para escravos. Queriam ser anarquistas à custa alheia. Queriam a liberdade, logo que fossem os outros que lha arranjassem, logo que lhe fosse dada como um rei dá um título! Quase todos eles são assim, os grandes lacaios!
- E V., escamou-se?
- Se me escamei! Enfureci-me! Pus-me aos coices. Dei por paus e por pedras. Quase que me peguei com dois ou três deles. E acabei por me vir embora. Isolei-me. Veio-me um nojo àquela carneirada toda, que V. não imagina! Quase que descri no anarquismo. Quase que decidi não me importar mais com tudo aquilo. Mas, passados uns dias, voltei a mim. Pensei que o ideal anarquista estava acima destas quizílas. Eles não queriam só brincar aos libertários? Não estava eu para brincar num caso desses. Eles não tinham força para combater senão encostados uns aos outros, e criando, entre si, um simulacro novo da tirania que diziam querer combater? Pois que o fizessem, os parvos, se não serviam para mais. Eu é que não ia ser burguês por tão pouco.
“Estava estabelecido que, no verdadeiro anarquismo, cada um tem que, por sua própria forças, criar liberdade e combater as ficções sociais. Pois por minha própria forças eu ia criar liberdade e combater as ficções sociais. Ninguém queria seguir-me no verdadeiro caminho anarquista? Seguiria eu por ele. Iria eu só, com os meus recursos, com a minha fé, desacompanhado até do apoio mental dos que tinham sido meus camaradas, contra as ficções sociais inteiras. Não digo que fosse um belo gesto, nem um gesto heróico. Foi simplesmente um gesto natural. Se o caminho tinha que ser seguido por cada um separadamente, eu não precisava de mais ninguém para o seguir. Bastava o meu ideal. Foi baseado nestes princípios e nestas circunstâncias que decidi, por mim só, combater as ficções sociais.”
Suspendeu um pouco o discurso, que se lhe tornara quente e fluido. Retomou-o de ali a pouco, com a voz já mais sossegada.
- É um estado de guerra, pensei eu, entre mim e as ficções sociais. Muito bem. O que posso eu fazer contra as ficções sociais? Trabalho sozinho, para não poder, de modo nenhum, criar qualquer tirania. Como posso eu colaborar sozinho na preparação da revolução social, na preparação da humanidade para a sociedade livre? Tenho que escolher um de dois processos, dos dois processos que há; caso, é claro, não possa servir-me de ambos. Os dois processos, são a ação indireta, isto é, a propaganda, e a ação direta, de qualquer espécie.
“Pensei primeiro na ação indireta, isto é, na propaganda. Que propaganda poderia eu fazer só por mim? À parte esta propaganda que sempre se vai fazendo em conversa, com este ou aquele, ao acaso e servindo-nos de todas as oportunidades, o que eu queria saber era se a ação indireta era um caminho por onde eu pudesse encaminhar a minha atividade de anarquista energicamente, isto é, de modo a produzir resultados sensíveis. Vi logo que não podia ser. Não sou orador e não sou escritor. Quero dizer, sou capaz de falar em público, se for preciso, e sou capaz de escrever um artigo de jornal; mas o que eu queria averiguar era se o meu feitio natural indicava que, especializando-me na ação indireta, de qualquer das duas espécies ou em ambas, eu poderia obter resultados mais positivos para a idéia anarquista que especializando os meus esforços em qualquer outro sentido. Ora a ação é sempre mais proveitosa que a propaganda, exceto para os indivíduos cujo feitio os indica essencialmente como propagandistas – os grandes oradores, capazes de eletrizar multidões e arrastá-las atrás de si, ou os grandes escritores, capazes de fascinar e convencer com os seus livros. Não me parece que eu seja muito vaidoso, mas, se o sou, não me dá, pelo menos, para me envaidecer daquelas qualidades que não tenho. E, como lhe disse, nunca me deu para me julgar orador ou escritor. Por isso abandonei a idéia da ação indireta como caminho a dar à minha atividade anarquista. Por exclusão de partes, era forçado a escolher a ação direta, isto é, o esforço aplicado à prática da vida, à vida real. Não era a inteligência, mas a ação. Muito bem. Assim seria.”
“Tinha eu pois que aplicar à vida prática o processo fundamental de ação anarquista que eu já tinha esclarecido – combater as ficções sociais sem criar tirania nova, criando já, caso fosse possível, qualquer coisa da liberdade futura. Ora como diabo se faz isso na prática?”
“Ora o que é combater na prática? Combater na prática é a guerra, é uma guerra, pelo menos. Como é que se faz guerra às ficções sociais? Antes de mais nada, como é que se faz guerra? Como é que se vence o inimigo em qualquer guerra? De uma de duas maneiras: ou matando-o isto é, destruindo-o; ou aprisionando-o, isto é, subjugando-o, reduzindo-o à inatividade. Destruir as ficções sociais não podia eu fazer; destruir as ficções sociais só o podia fazer a revolução social. Até ali, as ficções sociais podiam estar abaladas, cambaleando, por um fio; mas destruídas, só o estariam com a vinda da sociedade livre e a queda positiva da sociedade burguesa. O mais que eu poderia fazer nesse sentido era destruir – destruir no sentido físico de matar – um ou outro membro da classes representativas da sociedade burguesa. Estudei o caso, e vi que era asneira. Suponha V. que eu matava um ou dois, ou uma dúzia de representante da tirania das ficções sociais… O resultado? As ficções sociais ficariam abaladas? Não ficariam. As ficções sociais não são como um situação política que pode depender de um pequeno número de homens, de um só homem por vezes. O que há de mau nas ficções sociais são elas, no seu conjunto, e não os indivíduos que as representam senão por serem representantes delas. Depois, um atentado de ordem social produz sempre uma reação; não só tudo fica na mesma, mas, as mais das vezes, piora. E, ainda por cima, suponha, como é natural, que, depois de um atentado, eu era caçado; era caçado e liquidado, de uma maneira ou outra. E suponha que eu tinha dado cabo de uma dúzia de capitalistas. Em que vinha isso tudo dar, e resumo? Com a minha liquidação, ainda que não por morte, mas por simples prisão ou degredo, a causa anarquista pedia um elemento de combate; e os doze capitalistas, que eu teria estendido, não eram doze elementos que a sociedade burguesa tinha perdido, porque os elementos componentes da sociedade burguesa não são elementos de combate, mas elementos puramente passivos, pois o `combate’ está, não nos membros da sociedade burguesa, mas no conjunto de ficções sociais, em que essa sociedade assenta. Ora as ficções sociais não são gente, em quem se possa dar tiros… V. compreende bem? Não era como o soldado de um exercito que mata doze soldados de um exército contrário; era como um soldado que mata doze civis da nação do outro exército. É matar estupidamente, porque não se elimina combatente nenhum… Eu não podia portanto pensar em destruir, nem no todo nem em nenhuma parte, ficções sociais. Tinha então que subjugá-las, que vencê-las subjugando-as, reduzindo-as à inatividade.”
Apontou para mim o indicador direito súbito.
- Foi o que eu fiz!
Retirou logo o gesto, e continuou.
- Procurei ver qual era a primeira, a mais importante, das ficções sociais. Seria a essa que me cumpria, mais que a nenhuma outra, tentar subjugar, tentar reduzir à inatividade. A mais importante, da nossa época pelo menos, é o dinheiro. Como subjugar o dinheiro, ou, em palavras mais precisas, a força, ou a tirania do dinheiro? Tornando-me livre da sua influência, da sua força, superior portanto à influência, reduzindo-o à inatividade pelo que me dizia respeito a mim. Pelo que me dizia respeito a mim, compreende V.?, porque eu é que o combatia; se fosse reduzi-lo à inatividade pelo que respeita a toda a gente, isso não seria já subjugá-lo, mas destruí-lo, porque seria acabar de todo com a ficção do dinheiro. Ora eu já lhe provei que qualquer ficção social só pode ser “destruída” pela revolução social, arrastada com as outras na queda da sociedade burguesa.
“Como podia eu tornar-me superior à força do dinheiro? O processo mais simples era afastar-me da esfera da sua influência, isto é, da civilização; ir para um campo comer raízes e beber água das nascentes; andar nu e viver como animal. Mas isto, mesmo que não houvesse dificuldade em fazê-lo, não era combater uma ficção social; não era mesmo combater: era fugir. Realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu. O processo tinha que ser outro – um processo de combate e não de fuga. Como subjugar o dinheiro, combatendo-o? Como furtar-me à sua influência e tirania, não evitando o seu encontro? O processo era só um – adquiri-lo, adquiri-lo em quantidades bastante para lhe não sentir a influência; e em quanto mais quantidade o adquirisse, tanto mais livre eu estaria dessa influência. Foi quando vi isto claramente, com toda a força da minha convicção de anarquista, e toda a minha lógica de homem lúcido, que entrei na fase atual – a comercial e bancária, meu amigo – do meu anarquismo.”
Descansou um momento da violência, novamente crescente, do seu entusiasmo pela sua exposição. Depois continuou, ainda com um certo calor, a sua narrativa.
- Ora V. lembrasse daquelas duas dificuldades lógicas que eu lhe disse que me haviam surgido na princípio da minha carreira de anarquista consciente?… E V. lembra-se de eu lhe dizer que naquela altura as resolvi artificialmente pelo sentimento e não pela lógica? Isto é, V. mesmo notou e muito bem, que eu não as tinha resolvido pela lógica…
- Lembro-me, sim…
- E V. lembra-se de eu lhe dizer que mais tarde, quando acertei por fim com o verdadeiro processo anarquista, as resolvi então de vez, isto é, pela lógica?
- Sim.
- Ora veja como ficaram resolvidas… As dificuldades eram estas: não é natural trabalhar por qualquer coisa, seja o que for, sem uma compensação natural, isto é, egoísta; e não é natural dar o nosso esforço a qualquer fim sem ter a compensação de saber que esse fim se atinge. As duas dificuldades eram estas; ora repare como ficam resolvidas pelo processo de trabalho anarquista que o meu raciocínio me levou a descobrir como sendo o único verdadeiro… O processo dá em resultado eu enriquecer; portanto, compensação egoísta. O processo visa ao conseguimento da liberdade; ora eu, tornando-me superior à força do dinheiro, isto é, libertando-me dela, consigo liberdade. Consigo liberdade só para mim, é certo; mas é que como já lhe provei, a liberdade para todos só pode vir com a destruição das ficções sociais, pela revolução social. O ponto concreto é este: viso liberdade, consigo liberdade: consigo a liberdade que posso… E veja V.: à parte o raciocínio que determina este processo anarquista como o único verdadeiro, o fato que ele resolve automaticamente as dificuldades lógicas, que se podem opor a qualquer processo anarquista, mais prova que ele é o verdadeiro.
“Pois foi este o processo que eu segui. Meti ombros à empresa de subjugar a ficção dinheiro, enriquecendo. Consegui. Levou um certo tempo, porque a luta foi grande, mas consegui. Escuso de lhe contar o que foi e o que tem sido a minha vida comercial e bancária. Podia ser interessante, em certos pontos sobretudo, mas já não pertence ao assunto. Trabalhei, lutei, ganhei dinheiro; trabalhei mais, lutei mais, ganhei mais dinheiro; ganhei muito dinheiro por fim. Não olhei o processo – confesso-lhe, meu amigo, que não olhei o processo; empreguei tudo quanto há – o açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal. O quê?! Eu combatia as ficções sociais, imorais e antinaturais por excelência, e havia de olhar a processos?! Eu trabalhava pela liberdade, e havia de olhar as armas com que combatia a tirania?! O anarquista estúpido, que atira bombas e dá tiros, bem sabe que mata, e bem sabe que as suas doutrinas não incluem a pena de morte. Ataca uma imoralidade com um crime, porque acha que essa imoralidade pede um crime para se destruir. Ele é estúpido quanto ao processo, porque, como já lhe mostrei, esse processo é errado e contraproducente como processo anarquista; agora quanto à moral do processo ele é inteligente. Ora o meu processo estava certo, e eu servia-me legitimamente, como anarquista, de todos os meios para enriquecer. Hoje realizei o meu limitado sonho de anarquista prático e lúcido. Sou livre. Faço o que quero, dentro, é claro, do que é possível fazer. O meu lema de anarquista era a liberdade; pois bem, tenho a liberdade, a liberdade que, por enquanto, na nossa sociedade imperfeita, é possível ter. Quis combater as forças sociais; combati-as, e, o que é mais, venci-as.”
- Alto lá! Alto lá! disse eu. Isso estará tudo muito bem, mas há uma cousa que V. não viu. As condições do seu processo eram, como V. provou, não só criar liberdade, mas também não criar tirania. Ora V. criou tirania V. como açambarcador, como banqueiro, como financeiro sem escrúpulos – V. desculpe, mas V. é que disse -, V. criou tirania. V. criou tanta tirania como qualquer outro representante das ficções sociais, que V. diz que combate.
- Não, meu velho, V. engana-se. Eu não criei tirania. A tirania, que pode ter resultado da minha ação de combate contra as ficções sociais, é uma tirania que não parte de mim, que portanto eu não criei; está nas ficções sociais, eu não ajuntei a elas. Essa tirania é a própria tirania das ficções sociais; e eu não podia, nem me propus, destruir as ficções sociais. Pela centésima vez lhe repito: só a revolução social pode destruir as ficções sociais; antes disso, a ação anarquista perfeita, como a minha, só pode subjugar as ficções sociais, subjugá-las em relação só ao anarquista que põe esse processo em prática, porque esse processo não permite uma mais larga sujeição dessas ficções. Não é de não criar tirania que se trata: é de não criar tirania nova, tirania onde não estava. Os anarquistas, trabalhando em conjunto, influenciando-se uns aos outros como eu lhe disse, criam entre si, fora e à parte das ficções sociais, uma tirania; essa é que é uma tirania nova. Essa, eu não a criei. Não a podia mesmo criar, pelas próprias condições do meu processo. Não, meu amigo; eu só criei liberdade. Libertei um. Libertei-me a mim. É que o meu processo, que é, como lhe provei, o único verdadeiro processo anarquista, me não permitiu libertar mais. O que pude libertar, libertei.
- Está bem… Concordo… Mas olhe que, por esse argumento, a gente quase que é levado a crer que nenhum representante das ficções sociais exerce a tirania…
- E não exerce. A tirania é das ficções sociais e não dos homens que as encarnam; esses são, por assim dizer, os meios de que as ficções se servem para tiranizar, como a faca é o meio que se pode servir o assassino. E V. decerto não julga que abolindo as facas abole os assassinos… Olhe… Destrua V. todos os capitalistas do mundo, mas sem destruir o capital… No dia seguinte o capital, já nas mãos de outros, continuará, por meio desses, a sua tirania. Destrua, não os capitalistas, mas o capital; quantos capitalistas ficam?… Vê?…
- Sim; V. tem razão.
- Ó filho, o máximo, o máximo, o máximo que V. me pode acusar de fazer é de aumentar um pouco – muito muito pouco – a tirania das ficções sociais. O argumento é absurdo, porque como já lhe disse, a tirania que eu não devia criar, e não criei, é outra. Mas tem mais um ponto fraco: é que, pelo mesmo raciocínio, V. pode acusar um general, que trava combate pelo seu país, de causar ao seu país o prejuízo do número de homens do seu próprio exercito que teve que sacrificar para vencer. Quem vai à guerra, dá e leva. Consiga-se o principal; o resto…
- Está muito bem… Mas olhe lá outra coisa… O verdadeiro anarquista quer a liberdade não só para si, mas também para os outros… Parece-me que quer a liberdade para a humanidade inteira…
- Sem dúvida. Mas eu já lhe disse que, pelo processo que descobri que era o único processo anarquista, cada um tem de libertar-se a si próprio. Eu libertei-me a mim; fiz o meu dever simultaneamente pra comigo e para com a liberdade. Por que é que os outros, os meus camaradas, não fizeram o mesmo? Eu não os impedi. Esse é que teria sido o crime, se os tivesse impedido. Mas eu nem sequer os impedi ocultando-lhes o verdadeiro processo anarquista; logo que descobri o processo, disse-o claramente a todos. O próprio processo me impedia de fazer mais. Que mais podia fazer? Compeli-los a seguir o caminho? Mesmo que o pudesse fazer, não o faria, porque seria tirar-lhes a liberdade, e isso era contra os meus princípios anarquistas. Auxiliá-los? Também não podia ser, pela mesma razão. Eu nunca ajudei, nem ajudo, ninguém, porque isso, sendo diminuir a liberdade alheia, é também contra os meus princípios. V. o que me está censurando é eu não ser mais gente que uma pessoa só. Por que me censura o cumprimento do meu dever de libertar, até onde eu o podia cumprir? Por que não os censura antes a eles por não terem cumprido o deles?
- Pois sim, homem. Mas esses homens não fizeram o que V. fez, naturalmente, porque eram menos inteligentes que V., ou menos fortes de vontade, ou…
- Ah, meu amigo: essas são já as desigualdades naturais, e não sociais… Com essas é que o anarquismo não tem nada. O grau de inteligência ou de vontade de um indivíduo é com ele e com a Natureza; as próprias ficções sociais não põem praí nem prego nem estopa. Há qualidade naturais, como eu já lhe disse, que se pode presumir que sejam pervertidas pela longa permanência da humanidade entre ficções sociais; mas a perversão não está no grau da qualidade, que é absolutamente dado pela Natureza, mas na aplicação da qualidade. Ora uma questão de estupidez ou de falta de vontade não tem que ver com a aplicação dessas qualidade, mas só com o grau delas. Por isso lhe digo: essas são já absolutamente as desigualdades naturais, e sobre essas ninguém tem poder nenhum, nem há modificação social que a modifique, como não me pode tornar a mim alto ou a V. baixo…
“A não ser… A não ser que, no caso desses tipos, a perversão hereditária das qualidades naturais vá tão longe que atinja o próprio fundo do temperamento… Sim, que um tipo nasça para escravo, nasça naturalmente escravo, e portanto incapaz de qualquer esforço no sentido de se libertar… Mas nesse caso…, nesse caso…, que têm eles que ver com a sociedade livre, ou com a liberdade?… Se um homem nasceu para escravo, a liberdade, sendo contrária à sua índole, será para ele uma tirania”’
Houve uma pequena pausa. De repente ria alto.
- Realmente, disse eu, V. é anarquista. Em todo o caso, dá vontade de rir, mesmo depois de o ter ouvido, compara o que V. é com o que são os anarquistas que praí há…
- Meu amigo, eu já lho disse, já lho provei, e agora repito-lho… A diferença é só esta: eles são anarquistas só teóricos, eu sou teórico e prático; eles são anarquistas místicos, e eu científico; eles são anarquistas que se agacham, eu sou um anarquista que combate e liberta… Em uma palavra: eles são pseudo-anarquistas, e eu sou anarquista.
E levantamos-nos da mesa
Lisboa, janeiro de 1922.
Esquerda: reacionária e burra
[i]“A esquerda é utopia por vocação, é mudança. Quem quer que tudo fique no mesmo lugar, fora mandioca, é direita.”[/i]
Quanta besteira junta! A esquerda no Brasil é completamente anti-mudança: eles são contra privatizações, eles são contra modernização do Estado, eles são contra maior eficiência da economia, eles são contra inserção no mundo globalizado, eles são contra aperfeiçoamentos institucionais, eles são contra políticas realistas, eles são contra a modernidade, são contra liberdade de expressão, são contra liberdade de imprensa, são contra liberdades e garantias fundamentais (oriundas ainda da Revolução Francesa). Como se não bastassem, seus ícones são profundamente conservadores: o homossexualismo era considerado crime em Cuba até pouco tempo atrás. A prostituição, idem.
A esquerda é o que mais retrógrado existe no Brasil, e o processo político mostra isso: a quem Lula se associou? PMDB, Jarder Barbalho, Newton Cardoso, José Sarney e etc….ou seja, o que existe de mais retrógrado na sociedade brasileira.
Mas todo esse reacionarismo da esquerda é decorrente da ampla, geral e irrestrita ignorância dos esquerdinhas. Os esquerdinhas são muito burros, incompetentes e não conseguem compreender como funciona uma sociedade complexa, aberta e plural como é uma democracia liberal. Como suas mentes não lhes permite compreedê-la, então eles ficam contra. É sempre assim.
O antídoto é que um dos pilares da sociedade liberal é a meritocracia, então, os esquerdinhas, quando ascedem a uma posição de destaque (sempre por apadinhamento político), sua incompetência fica tão patente que ele não dura muito tempo lá.
Da mesma forma, não conseguem ascender a tais posições de destaque por sua própria capacidade, pois como são burros e incompetentes, ficam relegados a funções menores em qualquer organização que estejam inseridos, a não ser os sindicatos, onde eles geralmente se reúnem, e a incompetência reina, afinal, alguém já viu alguma realização de um sindicato?
Depoimento (sobre Cuba) de uma entusiasta do regime cubano
http://br.groups.yahoo.com/group/brigadacubana_2006/message/62
Depoimento de Aline Vieira, sobre a situação cubana.
[i]No banheiro dos alojamentos vazava água das privadas
Não havia táboas para sentar
O material de limpeza utilizado pelas companheiras do CIJAM responsáveis pela “higienização” dos banheiros era “água e mão”.
Também não disfrutei de ônibus com temporizador para o ar condicionado e a cada parada tive que fazer xixi na estrada pq os banheiros (um a cada parada) não davam vazão a quantidade de pessoas que eramos.
Também não puderam ir a nossa festa ( a noite sulamericana), muitos e queridos companheiros do ICAP (lá de Havana) por falta de transporte. Isso que “transporte” é uma maneira genérica de se referir a sucatas quebradas, muito deterioradas, com bancos quebrados, cheias de ferrugem, sem ventilação alguma e um cheiro tão insuportável quanto constante de querosene queimado… E, que são “doações” da Itália… Cada uma dessas “guaguas” custa ao governo cubano usd 2.000 dólares em tarifas de importação… Nesse estado…
Quanto a comida, pão com nada e leite com “chafé”, não são exatamente a opção cubana e sequer a brasileira de “desayunar”.
Sabe aquela “anestesiasinha de xilocaína colorida sabor morango” que a gente pede no dentista antes de receber o anestésico injetável para obturar dente? Em Cuba não tem. Nem para as crianças. Estou certa de que as crianças cubanas sentem dor de dente como o sentem as crianças de qualquer parte do mundo…
Bem, ovos, frutas variadas, carne de gado, produtos de higiene pessoal, material cirurgico, peças de automóveis, televisores, computadores, celulares, creme dental com sabor e perfume, sabonete, lápis, borracha, apontador, caderno, papel higienico…
Parece até estória de sertanejo brasileiro né? [/i] ALINE CASTRO
REDE DE SOLIDARIEDADE A CUBA BRASIL
[i]“tive que fazer xixi na estrada pq os banheiros (um a cada parada) não davam vazão a quantidade de pessoas que eramos.”[/i]
Essa aqui é antológica!!! Imagina a patricinha baba-ovo do Fidel tendo que agachar toda a parada de ônibus para fazer xixi, pq o banheiro estava transbordando de merda!!!!
Tb…essa menina é uma besta…ela não sabe pq em Cuba o povo não usa papel higiênico? É claro…deveria saber que cubano não caga…porra!!!!! Aí chegam uns brasiliros lá…vão cagar nas privadas cubanas e começa a jorrar merda para tudo quanto é lado…!!!!!
HAHAHAHAHAHAHA!!!! tive que fazer xixi na estrada pq os banheiros (um a cada parada) não davam vazão a quantidade de pessoas que eramos.”
Essa aqui é antológica!!! Imagina a patricinha baba-ovo do Fidel tendo que agachar toda a parada de ônibus para fazer xixi, pq o banheiro estava transbordando de merda!!!!
Tb…essa menina é uma besta…ela não sabe pq em Cuba o povo não usa papel higiênico? É claro…deveria saber que cubano não caga…porra!!!!! Aí chegam uns brasiliros lá…vão cagar nas privadas cubanas e começa a jorrar merda para tudo quanto é lado…!!!!!
HAHAHAHAHAHAHA!!!!
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