Neoliberalismo

Liberdade para os povos

Saúde e Educação de Cuba: uma análise baseada em fatos

O Sistema de Saúde Cubano

A tese que pretendo provar é a de que a propalada excelência do sistema de saúde cubano não tem sustentabilidade nos fatos. O que iremos mostrar é que o sistema de saúde cubano apresenta resultados ligeiramente inferiores a de outros países da América Latina, como Argentina, Chile e Costa Rica. 

Mostraremos, também, que o sistema de Educação cubano não é aprovado pelos sistemas de avaliação internacionais da UNESCO.

 Para corroborar minha tese, fundamentarei minha análise com dados de Intituições Internacionais, como Organização Mundial de Saúde e UNESCO.

Preliminarmente, vamos aos dados da Organização Mundial de Saúde:

Investimento em Saúde – percapita

Investimento por habitante com Saúde em Cuba : US$ 251,00 / habitante (http://www.who.int/countries/cub/en/)

Investimento por habitante com Saúde no Brasil : US$ 597,00 / habitante (http://www.who.int/countries/bra/en/)

Investimento por habitante com Saúde nos EUA : US$ 5,700 / habitante http://www.who.int/countries/usa/en/

Esses dados nos mostram que mostra que: o Brasil gasta o dobro por habitante em Saúde que Cuba; os EUA gastam 10 vezes mais que o Brasil, e 20 vezes mais por habitante que Cuba.

Gasto em Saúde como proporção do PIB  

http://www3.who.int/whosis/country/compare.cfm?country=BRA&indicator=TotEOHPctOfGDP&language=english

EUA – 15,2% / Canadá – 9,9% / Argentina – 8,9% / Brasil – 7,6%

Como pode se verificar, o desempenho de Cuba, neste indicador,  é inferior ao El Salvador, Suriname, Uruguay, Argentina, Brasil, Colômbia, Panamá, Haiti e Costa Rica, com 7,3% do PIB de dispêndio em Saúde Pública.

Comparação Expectativa de Vida

Expectativa de Vida ao nascimento

Cuba 80 / 75  67,1 / 69,5

Costa Rica 80 /75  65,2 / 69,3

Argentina 78 / 71  62,7 / 68,1

Chile 81 / 74  64,9 / 69,7

Fonte : OMS

Cuba http://www.who.int/countries/cub/en/

Costa Rica http://www.who.int/countries/cri/en/

Argentina //www.who.int/countries/arg/en/

Chile http://www.who.int/countries/chl/en/

Conclusão: Cuba não é o melhor sistema de Saúde da América Latina. Seus indicadores são similares aos de muitos outros países da própria América Latina. Em determinados aspectos,  como, por exemplo,  investimento percapita de saúde, seus resultados são inferiores aos apresentados pelo Brasil.

Chile, Argentina, Costa Rica e Brasil apresentam indicadores melhores que os cubanos 

Cuba é um país que historicamente apresentava bons indicadores de Saúde e Educação. Essa tradição de bons indicadores são muito anteriores à tomada do poder na Revolução, o que torna curioso o fato de usarem tais indicadores como mérito da revolução de Fidel Castro.

Um aspecto adicional que precisa ser avaliado é que, com o advento da revolução, e o alinhamento de Cuba ao bloco soviético, Cuba passou a receber um subsídio de aproximadamente US$ 2 milhões de dólares por dia da extinta União Soviética, o que correspondia a aproximadamente U$ 1 bilhão de dólares por ano. O governo cubano usou tais recursos para manter os bons indicadores de Saúde e Educação cubanos, mas, sobretudo, para financiar intervenções militares em outros países da América Latina (Bolívia) e África (Congo). Cuba, hoje, é um país agrário, e questiona-se se não teria sido melhor para a população cubana se o governo cubano tivesse usado tais recursos para criar um parque industrial. Está claro que se Cuba fosse um regime democrático, no qual o povo tivesse voz e participasse das decisões coletivas, seria muito difícil usar os limitados recursos de um país para patrocinar guerrilhas e guerras em outros, pois a população provavelmente optaria por aplicar tais recursos na melhoria de sua própria qualidade de vida, ao invés de usar para produzir guerras e guerrilhas em outros países.

Diante disso, é importante ressaltar que os demais países da América Latina, sobretudo Chile e Argentina, não tiveram esse tipo de auxílio da ex-URSS e mesmo assim lograram êxito em obter indicadores de Saúde e Educação melhores que os cubanos, mesmo com populações que crescem constantemente, ao contrário de Cuba, que exportou quase 30% da população para os Estados Unidos da América. Esses quase 3 milhões de cubanos que vivem nos EUA usam os sistemas de saúde e educação dos EUA, e não de Cuba, além de contribuirem com envio de recursos à seus familiares.

Cuba: subsídios de outros países 

Cuba é um país que consegue sobreviver apenas quando existe algum tipo de subsídio de outros  países. Inicialmente Cuba viveu de subsídios mensais da ex-URSS.  Atualmente, quem subsidia o estado cubano é o petróleo da Venezuela, tendo em vista que Hugo Chavez  fornece 100 mil barris de petróleo diários, a preços altamente subsidiados, ao governo cubano. 

Fidel Castro, ditador de Cuba, é um homem acostumado ao poder, pois é oriundo da aristocracia rural cubana. Em seu reinado de 50 anos à frente do poder em Cuba não conseguiu fazer com que seu país, antes uma potência econômica e social, produza bens para a população, mas especializou-se na produção de produtos elitistas e comprados por mega-empresários, como os charutos HAVANA, e os hotéis de luxo em Varadero, praia na qual os cubanos nativos não podem entrar.

Dados da UNESCO

Costa Rica – expectativa média de vida – 79 (http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=1880)

Cuba – expectativa média de vida – 77 (http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=1920)

Fertilidade : Cuba 1,6 filhos / mulher 

Costa Rica : 2,6% das crianças em idade escolar fora da escola

Cuba – 3% das crianças em idade escolar fora da escola

Costa Rica – ZERO% das crianças em idade escolar fora da escola

Brasil – 3% das crianças em idade escolar fora da escola

Argentina – 1% das crianças em idade escolar fora da escola

 (http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=320)

Chile – ZERO % das crianças em idade escolar fora da escola

 (http://www.uis.unesco.org/profiles/EN/EDU/countryProfile_en.aspx?code=1520)

Educação em Cuba: indicadores não são favoráveis

Desempenho dos alunos cubanos no TIMSS

 http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000061.pdf#search=%22OREALC%20UNESCO%20teste%20alunos%20prim%C3%A1rios%22  

O teste quadri-anual que feito pela UNESCO chama-se TIMSS, e os alunos cubanos não conseguiram classificação para entrar no ranking. Os campeões nesses rankings são Cingapura, Coréia, República Checa , Japão, Bulgária, Eslovênia, Bélgica, Áustria, Hungria, Países Baixos, Inglaterra, República Eslovaca, Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá, Irlanda, Tailândia, Suécia.

Cuba nem aparece no ranking do teste da UNESCO

Diante do fato de que os alunos não conseguem passar nas preliminares das provas da UNESCO, pode-se concluir que o sistema de educação de Cuba está em nível muito inferior ao dos demais países da América Latina.

http://isc.bc.edu/PDF/t03_download/T03_M_Chap2.pdf http://isc.bc.edu/timss2003i/intl_reports.html http://www.timss.org/ http://www.who.int/whr/2006/annex/06_annex2_en.pdf

Evolução dos dispêndios em Saúde como proporção do PIB 

Os seguintes percentuais de gasto em Saúde como proporção do PIB: Gastos totais em Saúde como proporção do PIB

1999 2000 2001 2002 2003

Cuba 6,9 7 7,1 7,2 7,3

Costa Rica 6 6,3 6,8 7,2 7,3

Argentina 9,1 8,9 9,5 8,6 8,9

Brasil 7 ,8 7,7 7,8 7,7 7,6

Grã-Bretanha 7,2 7,3 7,5 7,7 8

EUA 13,1 13,3 14 14,7 15,2

Portanto, como podemos verificar pelos dados acima, Cuba investe, como proporção do PIB, valores similares aos demais países em seu sistema de Saúde.

Socialismo: ineficiência econômica cobra seu preço dos mais pobres 

O sistema socialista é caracterizado por sua tradicional ineficiência econômica, o que ficará claro ao longo deste artigo.  Se analisarmos a situação cubana em seu todo, verificamos que Cuba consegue obter resultados em Saúde quase tão bons quanto os de países como Chile, Argentina e Costa Rica. Entretanto, tais resultados são os únicos indicadores favoráveis da Ilha. Entretanto, a quantidade de pessoas que precisam ser alocados em tais sistemas é enorme – em média 5 vezes maiores que a comparação com outras nações da América Latina.

Esse é um exemplo emblemático da ineficiência do sistema cubano: para conseguir resultadores piores que o de outros países, precisa empregar 5 vezes mais recursos humanos.

Qual o resultado disso na prática: os salários são muito baixos (médicos ganham em média R$ 40,00/mês) e a população fica submetida a racionamentos de produtos básicos, como papel higiênico, produtos de higiênie pessoal, alimentos, carnes e leite, que são racionados por meio da ”livreta de racionamento“.

O fenômeno do racionamento e da escassez generalizada ocorre em Cuba pois o sistema precisa de 5 vezes mais pessoas para produzir as mesmas coisas que um país capitalista. Ou seja, no capitalismo, a mesma população produz mais alimentos, mais serviços de Saúde, mais serviços de Educação, com os mesmos recursos, pois as pessoas estão inseridas em um sistema de produção livre e mais eficiente. 

Além disso, poderíamos aludir as razões pelas quais gasta-se tão pouco em Cuba com saúde da população: um médico cubano ganha em torno de US$ 200 dólares por ano. Um inglês em torno de US$ 100 mil dólares! Um americano mais ou menos isso, em início de carreira. Um brasileiro ou argentino em torno de US$ 50 mil dólares / ano.

Médicos cubanos são dispõem de equipamentos modernos como sistemas de tomografia computadorizado, como os disponíveis para os ingleses, americanos, brasileiros e argentinos em seus hospitais públicos.

Ademais, produtos básicos são negados negadas aos cubanos pobres, como aspirinas, analgésicos, anti-bióticos. A não oferta de tais produtos para o povo cubano é um dos meios para se reduzir os dispêndios no sistema de Saúde.

Fidel Castro : um dos homens mais ricos do mundo

Outra questão que pode ser verificada é que Fidel Castro é um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes. Essa riqueza provavelmente provém, provavelmente, de transações financeiras que as multinacionais que operam em Cuba pagam para poder operar naquele país. Tais recursos poderiam ser investidos nos sistemas de Saúde e de Educação dos cubanos, mas são usados para irrigar a fortuna de Fidel Castro e sua família.

Além disso, é preciso considerar que Cuba tem uma população estável em torno de 11 milhões de habitantes, sendo os demais países em geral tem populações crescentes. Os EUA, por exemplo, além de ter uma população 30 vezes maior que a cubana, ainda absorvem um contingente de migrantes equivalente a metade da população cubana, todos os anos.

Eficiência de sistemas públicos de saúde

Esse é um componente que tem peso significativo na economia. Como proporção do PIB, o gasto de Saúde cubano – em torno de 7% - é similar ao de outros sistemas de saúde da América Latina.

Entretanto, os trabalhadores cubanos recebem salários muito baixos. A comparação entre os salários dos trabalhadores em outros países e os salários dos trabalhadores cubanos é clara. Um beneficiário do Bolsa Família brasileiro ganha, por mês, só de benefícios estatais, um valor que é 3 vezes superior ao que aufere um médico cubano.

Outra medida que ajuda a reduzir os custos do sistema de saúde cubano é que não são oferecidas aspirinas e outros gêneros dessa natureza nas farmácias estatais cubanas. Não existem anestesias e diversos outros remédios que obrigam os médicos cubanos promover amputações de membros por falta de medicamentos.

Todas essas medidas mostram como é possível a um país gastar US$ 250 dólares por ano em saúde por habitante, e ter o seu presidente como um dos homens mais ricos do mundo.

Os EUA, por exemplo, gastam 22 vezes mais por cidadão em Saúde. Na Cuba ”SOCIALISTA” os médicos ganha US$ 250,00 por ano e vivem no país onde supostamente não existe exploração do homem pelo homem. Entretanto, nos países capitalistas, os médicos explorados em outros países ganham em média 200 vezes mais.

Eficiência do sistema cubano de Saúde.

Já verificamos que o gasto por habitante em saúde nos países é proporcional a renda. Pode-se usar tal indicador de gasto em saúde per capita como indicador a “eficiência” do sistema de Saúde.

Vamos comparar dois países latino americanos. Cuba (o mais socialista da América Latina) e Chile (o mais capitalista da América Latina).

Em termos de indicadores de Saúde, o Chile empata com Cuba na maioria dos indicadores. Vejamos

Chile : http://www.who.int/countries/chl/en/)

Expectativa de vida ao nascer homens/mulheres (anos): 74.0/81.0

Healthy life expectancy at birth h/m (years, 2002): 64.9/69.7

Mortalidade infantil h/m (per 1000): 10/9

Mortalidade adulta h/m (per 1000): 133/66 

Total dispêndio em saúde per capita (Intl $, 2003): 707

Total dipêndio em saúde como % do PIB s (2003): 6.1

Cuba : (http://www.who.int/countries/cub/en/)

 Total population: 11,269,000

PIB per capita (Intl $, 2004): 3,649

Expectativa de vida ao nascer homem/mulher (years): 75.0/80.0

Healthy life expectancy at birth h/m (years, 2002): 67.1/69.5 

Mortalidade infantil h/m (per 1000): 8/7 

Adult mortality h/m (per 1000): 131/85

Total dispêndio em Saúde per capita (Intl $, 2003): 251 

Total dispêndio em Saúde como % do PIB (2003): 7.3

Agora vejamos a quantidade de profissionais de saúde em cada país: Cuba

http://www3.who.int/whosis/core/core_select_process.cfm?country=cub&indicators=healthpersonnel&intYear_select=all&language=en

Chile

http://www3.who.int/whosis/core/core_select_process.cfm?country=chl&indicators=healthpersonnel&intYear_select=all&language=en

Cuba Médicos (density per 1 000 habitantes) (:) 5.91

Enfermeiros (density per 1 000 habitantes) (:) 7.44

Dentistas (density per 1 000 habitantes) (:) 0.87

Chile

Médicos (density per 1 000 habitantes) (:) 1.09

Enfermeiros (density per 1 000 habitantes) (:) 0.63

Dentistas (density per 1 000 population) (:) 0.43

Desses dados concluímos que Cuba precisa de 5,4 mais médicos, 11,8 mais enfermeiros e o dobro de dentistas, para cada grupo de mil habitantes, para obter os mesmos resultados de Saúde que o Chile.

Cuba gasta 7% do seu PIB.

Agora uma questão importante: o PIB de Cuba, calculado pela PPP – Paridade do Poder de Compra, atinge (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra) o valor de US$ 37,24 bilhões de dólares. Porém deste site aqui vemos o gasto percapita.

 http://www3.who.int/whosis/country/compare.cfm?country=CRI&indicator=PcTotEOHinIntD&language=english

O que se observa é que existe uma correlação entre renda-percapita e gasto por saúde percapita. Se usaármos países com resultados similares em Saúde verificamos que o gasto percapita em saúde sobre o pib percapta é igual a relação de gasto com saúde sobre o PIB.

Dispêndio percapita PIB Percapta gasto/

PIB EUA USD 6.621,43 USD 44.142,86 0,15

Argentina USD 1.149,70 USD 16.424,24 0,07

Costa Rica USD 566,16 USD 8.088,00 0,07

Cuba USD 236,98 USD 3.385,45 0,07

A explicação para tal fenômeno é que a maior parte do gasto dos sistemas de Saúde é exatamente com a remuneração dos profissionais de Saúde.

Portanto, países com baixos salários terão gasto menor, e países com altos salários, terão gastos maiores. Assim, Cuba obtém baixos dispêndios percapita em Saúde pagando baixos salários a seus trabalhadores.

Cuba se obtém resultados similares que outros países em Saúde. Entretanto, Cuba não tem eleições livres, não tem liberdade de expressão, os cubanos não tem liberdade de ir e vir, os salários dos cubanos são uns dos mais baixos do mundo e ocorrem violações dos Direitos Humanos em Cuba, como observa a HRW (Human Rights Watch), uma ONG internacional que analisa a situação dos Direitos Humanos nos países.

Apesar disso, Cuba e seu ditador multimilionários contam com a admiração de pessoas na América Latina. A questão que fica é: por qual motivo ocorre esse fenômeno?

Maio 29, 2007 Publicado por Kassia Tavares | Cuba, Economia, Politica, Socialismo | | 47 Comentários