A democracia direta não funciona
A democracia direta não funciona
Sérgio Werlang
A queda do Muro de Berlim em 1989 e o desmantelamento das economias socialistas, que chegaram a abarcar quase a metade da população mundial, tornaram óbvio que as idéias coletivistas que assolaram o século passado estavam erradas. A razão básica é simples: as estruturas socialistas pressupõem que os seres humanos tenham uma natureza comunitária, isto é, que sejam altruístas. Mas, com a exceção de alguns notórios e louváveis seres humanos, como São Francisco de Assis, ou a nossa Irmã Dulce, as pessoas comportam-se de forma a levar em consideração primordialmente (mas não exclusivamente) seu próprio bem-estar. Isto tem várias conseqüências práticas que inviabilizam as economias socialistas. Primeiro, a propriedade privada, algo que sabe-se que existe desde que a escrita foi inventada. Segundo, a importância da liberdade individual. Quanto mais livres para escolher são os seres humanos, mais alternativas há para considerar. Como a principal preocupação das pessoas é com seu próprio bem-estar, mais felizes estarão se houver mais escolhas. Economias socialistas em geral restringem muito a liberdade de contratação e negociação privadas, quando não são autoritárias, como as repúblicas comunistas do século XX. Por fim, uma terceira decorrência desta natureza individualista é a economia de mercado, como Hayek já havia observado em 1945. O retumbante fracasso do socialismo mostrou de forma cabal que não é possível sustentar uma utopia coletivista. Nos dias de hoje há uma aceitação muito maior no mundo da descentralização das decisões (deixando aos indivíduos a escolha do que fazer), dos mecanismos de mercado, e da participação do setor privado nas economias.
Ocorre que, desde Platão existe um grupo de utópicos que defendem a imposição de seus pontos de vista, como se estes fossem a única verdade. Para Platão, a verdade era absoluta e apenas uns poucos indivíduos conseguiam enxergar a real definição do que seria bom e do que seria mau. Estas pessoas iluminadas tinham o dever de impor aos outros os conceitos que só elas tinham capacidade de entender. Note que esta visão autoritária (o ditador filósofo, ou déspota esclarecido) é incompatível com a descrição que foi feita da natureza do ser humano, pois viu-se que quanto mais livres as pessoas, mais felizes. Infelizmente, a interpretação platônica foi muito influente e atravessou muitos séculos – no século XVIII, Rousseau falava que as pessoas tinham que ser “forçadas a serem livres”. A derrocada das idéias coletivistas deixou claro que não é possível obrigar os indivíduos a viverem numa comunidade socialista “pelo próprio bem deles”. Então, alguns destes utópicos dos dias de hoje (uma minoria, é bem verdade) pretendem que as pessoas por sua “livre e espontânea” vontade cheguem “democraticamente” à conclusão de que o socialismo é ainda a melhor alternativa.
Contudo, o conceito de democracia que este grupo de “neoutópicos” utiliza, o de democracia direta, está longe de representar escolhas verdadeiramente democráticas. A democracia direta é o conceito originado na Grécia. O modelo das cidades-Estado gregas, e mais especificamente de Atenas após a reforma de Sólon, que ocorreu em 594 a.C., consistia na participação diária de todos os cidadãos do sexo masculino acima de uma certa idade numa assembléia. Isto era o equivalente da época aos eleitores de hoje. Todos os assuntos da cidade eram discutidos neste fórum. Segundo estimativas de Finley (1977 – Os gregos antigos), uma reunião destas em Atenas poderia ter a participação de cerca de 40 a 45 mil indivíduos. Cada pessoa poderia apresentar moções, que seriam ou não decididas pela maioria.
Tal procedimento não era muito prático, e criou uma série de distorções que acabaram por ter um impacto muito grande nas cidades-Estado. O sistema era muito vulnerável à influência do mais eloqüente. Todos já passaram por alguma experiência de ter participado de uma assembléia estudantil. O método de votação é altamente dirigido pelos mais persistentes e loquazes. É relativamente fácil que uma minoria articulada possa influenciar decisivamente o resultado da votação. Este é um grande problema da democracia direta.
A democracia direta funcionou durante algum tempo, enquanto as comunidades gregas independentes eram pequenas, e as decisões não eram muito complexas. No entanto, com Alexandre da Macedônia (que morreu em 323 a. C.), que conquistou as cidades-Estado gregas, este modelo mostrou-se totalmente incapaz de responder com rapidez aos desafios de enfrentar uma nação maior e mais organizada. Roma, que acabou por tornar-se hegemônica por um período muito maior que as cidades-Estado gregas, aperfeiçoou a democracia. O conceito, que foi sendo desenvolvido desde 507 a. C., era simples: os cidadãos não votariam diretamente, mas escolheriam um representante que decidiria em seu nome. Este grupo de representantes era bem menor, e tornava as discussões mais rápidas, mais objetivas e menos sujeitas ao “populismo” do momento. Este modelo persistiu até 44 a. C., e mesmo durante o império romano de forma parcial. A democracia representativa moderna é muito mais desenvolvida. Hoje deputados e senadores têm como sua principal função o debate e a votação das leis. Organizam-se em comissões temáticas, de acordo com a especialização e o interesse de cada um. Como a maioria dos temas da sociedade atual é muito mais complexa, estas comissões têm assessores técnicos e normalmente ouvem muitos especialistas nos diversos assuntos, antes de votar uma proposta. Em suma, a decisão de fazer alguma mudança nas leis de um país é tomada com muito mais informação e segurança.
A idéia de implantar a democracia direta é na verdade autoritária. Isto porque o cidadão que é chamado a votar diretamente um assunto complicado não tem tempo para dedicar-se a estudar em detalhe o tema. Assim, fica exposto aos mesmos problemas que eram verificados em Atenas – as decisões tinham que ser tomadas influenciadas pelos grupos de interesse que faziam a melhor comunicação a todos, mesmo que a decisão mais correta para a população fosse outra. Fica muito pior ainda se a participação direta nas votações for convocada por ordem de uma única pessoa, o presidente da República, como parece ser o intuito final de Hugo Chávez, na Venezuela. A razão é que este único indivíduo escolhe as propostas e a forma de perguntar (que pode influenciar as respostas, como bem sabem os especialistas em pesquisa de opinião). Mais ainda, é comum que esta pessoa controle muitos meios de comunicação, de modo que pode fazer ampla propaganda a favor de suas idéias. Dessa forma, conclui-se que a democracia direta não é uma maneira eficiente de organização das decisões de um povo, além de não levar os cidadãos a escolherem de acordo com seus reais interesses, abrindo a porta ao autoritarismo.
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, diretor-executivo do Banco Itaú e professor da Escola de Pós-graduação em Economia da FGV, escreve mensalmente às segundas-feiras e excepcionalmente hoje.
Cuba inventa novo método de crescimento econômico: mudando o cálculo do PIB
O grupo encastelado no poder em Cuba, liderados pelo ditador moribundo Fidel Castro, é uma usina de produção de bobagens e de baboseiras incrivelmente competente. O
Quando vejo algum artigo do ditador moribundo na mídia “burguesa” sempre podemos esperar que no meio do texto o barbudo acuse os Estados Unidos da América de serem os culpados por algumas das desgraças que afligem a ilha, decorrentes da própria incompetência dos seus proprietários – Fidel Castro e sua corte de puxa-sacos.
Mas o ditador moribundo, além de saber culpar os Estados Unidos da América por tudo (isso é coisa de criança mimada), notabiliza-se também por inventar estatísticas exóticas para vender sua revolução no mercado mundial. Estatísticas de Saúde e Educação cubanas têm tanta credibilidade quanto uma nota de US$ 3,00!
A economia cubana está em petição de miséria, destroçada por anos de incompetência de seus proprietários. O povo não tem nem sequer acesso a bens básicos como papel higiênico e sofre com o racionamento de comida há mais de cinquenta anos. O desastre da economia cubana tem um nome: socialismo.
Entretanto, o debate sobre crescimento econômico na América Latina está crescendo, com as pessoas querendo saber qual país cresce menos, ou mais, e por quê? Muito bem, a produção agrícola de Cuba, hoje, é menor do que a de antes da revolução, o que é um indicativo que a economia cubana só encolheu sob o ditador moribundo Fidel Castro! Ah! Mas Cuba precisa entrar na América Latina liderando mais uma coisa: crescimento econômico!
Mas o crescimento econômico cubano é muito baixo, ou negativo, então o quê fazer? Simples: mude-se o método de cálculo e seeus problemas acabaram: Chegou o método cubano-tabajara de crescimento econômico: mude-se o método de cálculo e aí, pronto, todos os seus problemas estão resolvidos!!!!
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2006/12/23/287181733.asp
HAVANA (Reuters) – O líder interino de Cuba, Raúl Castro, pediu hoje maior transparência a respeito dos problemas crônicos da ilha, como falta de moradia e transporte público, áreas que atraem o maior número de críticas no país comunista, informou a mídia oficial neste sábado.
“Digam a verdade, sem justificativas, porque estamos cansados de justificativas nesta revolução”, disse Raúl Castro na sexta-feira, segundo o jornal Juventud Rebelde.
(…)
A população tem que esperar durante horas por ônibus lotados, alguns deles meras carrocerias puxadas por caminhões, e muitos moram em casas caindo aos pedaços, freqüentemente divididas por mais de uma família.
(…)
Ele já havia criticado ineficiências do Estado no passado, mas agora está efetivamente no comando do país. Acredita-se que ele vá favorecer reformas, reduzindo o controle do Estado sobre a economia.
(…)
Cuba apresentou uma taxa de crescimento de 12,5 por cento este ano, utilizando um método particular de cálculo que soma educação, atendimento médico gratuito e outros serviços sociais prestados pelo Estado.
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