Editorial de O Estado de São Paulo: excelente!
O Estado de S. Paulo – 23.02.2007
É incompetência, não ideologia
Editorial
Dois anos e dois meses depois de o presidente Lula sancionar a lei que instituiu as Parcerias Público-Privadas (PPPs), saudadas como o ovo de Colombo para a modernização acelerada da infra-estrutura do País em tempos de exígua capacidade de investimento do Estado nacional, a iniciativa continua repousando no amplo dormitório de projetos que o governo “anuncia, anuncia, anuncia”, como disse o próprio Lula, e nada acontece – salvo, naturalmente, no plano da retórica. Reportagem de Lu Aiko Otta, no Estado de ontem, sobre o travamento da primeira PPP lançada pelo Executivo federal nesse tempo todo, é uma evidência que se acrescenta a tantas outras de que a condição natural da administração lulista é a de uma inaptidão incurável para fazer com que as coisas aconteçam. Se as ações efetivas do Planalto correspondessem a 1/10 que fosse da falação presidencial, a sua operosidade já seria digna de registro.
A PPP de que trata a reportagem se refere a duas estradas no interior da Bahia, cujo edital de concessão está previsto para sair em março. A parceria – cujo lançamento já foi anunciado e adiado inúmeras vezes – corre perigo de continuar paralisada porque o governo considera alta a taxa de retorno esperada pelos potenciais parceiros privados, com base em projeções sobre a rentabilidade do investimento, da ordem de 12,5% ao ano. Em janeiro, numa decisão rumorosa, o governo suspendeu um projeto que concederia 7 trechos rodoviários à iniciativa particular, por não aceitar que o contrato embutisse uma expectativa de 12,88% de retorno, a que os interessados chegaram por critérios técnicos. Segundo os empresários do setor, uma taxa entre 12% e 13% nada tem de extravagante, sendo até relativamente moderada. Os índices adotados no programa de concessões rodoviárias do Estado de São Paulo se situam na faixa de 15%. Considerando o precedente, eles receiam que o governo vá rever os parâmetros das PPPs.
Há cerca de duas semanas, ao apresentar ao Congresso o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, procurou – ao que tudo indica sem êxito – desfazer as suspeitas de que a privatização daquelas estradas enfrenta a surda e bem-sucedida resistência ideológica do esquema petista de poder, ao qual ela própria não estaria alheia. A ministra assegurou que o processo de concessões rodoviárias será retomado “assim que for concluído o processo de revisão” dos cálculos para a definição das tarifas de pedágio a serem cobradas pelos concessionários. Chama a atenção das empresas o fato de 3 dos 7 trechos se situarem no Paraná, onde o governador peemedebista Roberto Requião, que se vê à esquerda do presidente de quem é aliado, já anunciou sua intenção de sabotar as concessões no Estado. Ele pretende investir R$ 200 milhões em estradas que poupariam os motoristas do pagamento de pedágios.
Decerto o vezo ideológico do governo contribui para atar o desenvolvimento da infra-estrutura brasileira. Mas essa contribuição é secundária perto do que realmente conta: a absoluta incompetência administrativa e gerencial da era Lula, às vésperas de completar 50 meses de improfícua existência. Admita-se, caridosamente, que, tendo perdido boa parte ou todo o primeiro ano do primeiro mandato querendo reinventar a roda, batendo cabeças e trocando rasteiras, enquanto, já então, o presidente se dedicava prioritariamente ao seu projeto reeleitoral, o primeiro escalão do Executivo tenha em seguida encontrado o seu eixo. Não só não o encontrou – salvo na política econômica e na gestão do Bolsa-Família -, como nem sequer hoje existe na prática, porque Lula não consegue reformá-lo para o segundo termo, passados quase 120 dias da reeleição. Nunca antes um presidente brasileiro demorou tanto para formar um Gabinete. Ontem, ele disse que fará a reforma do Ministério na segunda quinzena de março!
Seria razoável culpar o preconceito ideológico pela não-implementação das PPPs e pelo freio às concessões rodoviárias, se em outras áreas, em que esse fator tivesse peso muito menor ou nenhum, o desempenho do governo fosse diferente. Mas isso está longe de ser o caso. Praticamente por onde quer que se o examine, topa-se com um cenário de torpor e incompetência. Às vezes parece, aqui e ali, que agora vai. Mas, em menos tempo do que Lula leva para se elogiar a cada discurso, vê-se que foi outra enganação.
Sai o BNDES, entra a Bolsa de Valores
O capitalismo brasileiro está realmente entrando numa nova fase. Uma fase muito mais moderna, menos cartorial, menos de conchavos, e de mais competência, de competição, de transparência, de mercado.
Já faz um bom tempo eu acho que o BNDES deveria ser extinto, pois é realmente interessante ver como é que o Estado brasileiro toma dinheiro emprestado numa ponta à Selic (hoje, em 13%) e empresta na outra a TJLP (hoje, em 6.5%).
Pois bem, com a redução dos juros, as empresas estão dando banana para o BNDES e migrando para a Bolsa de Valores, que é um processo muito mais saudável, inclusive por promover a distribuição de renda e a cultura do empreendedorismo e do investimento.
A notícia saiu no Estadão:
http://www.estado.com.br/editorias/2007/02/26/eco-1.93.4.20070226.13.1.xml
Empresas trocam BNDES pela Bolsa
Em 2006, companhias arrecadaram R$ 110 bi com a venda de ações, mais que o dobro dos desembolsos do banco
Marcelo Rehder
As empresas têm recorrido ao mercado de capitais como fonte de recursos de longo prazo para financiar atividades e investimentos numa freqüência jamais vista no País. No ano passado, o total captado pelas companhias chegou a R$ 110,2 bilhões, mais que o dobro dos desembolsos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante representa crescimento de 78,9%, se comparado aos R$ 61,6 bilhões de operações em 2005. Para este ano, a expectativa é de expansão de, pelo menos, 30%.
“O mercado de capitais já é hoje a maior fonte de financiamento das empresas brasileiras”, diz Raymundo Magliano Filho, presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em 2006, as companhias captaram R$ 69,5 bilhões por meio de debêntures, o que representou um incremento de 67,4% em relação aos R$ 41,5 bilhões de 2005, que já haviam sido recorde. As captações por meio de oferta de ações também bateram recorde no ano passado. As empresas captaram R$ 14,2 bilhões, mais que o triplo do ano anterior.
Além de fonte de financiamento, o mercado de capitais tem sido um fator determinante de sucesso para o desenvolvimento do País. Nesse sentido, houve uma mudança cultural no meio empresarial. “O empresário percebeu que sozinho já não se consegue fazer praticamente mais nada”, diz o presidente da Bovespa. “Quem quiser se desenvolver no mercado doméstico ou no exterior, precisa ter sócios, fazer parcerias.”
Mas o mercado de capitais não é opção para qualquer empresa. A começar pelo custo de abertura do capital, que não é barato. De acordo com bancos de investimento, para a estruturação da oferta pública de ações o desembolso varia de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão. Os bancos cobram taxa de serviços que hoje gira em torno de 5% do valor total da captação. Além disso, a empresa precisa ter boa governança corporativa e obter lucros para distribuir dividendos aos acionistas. Do contrário, o preço das ações despencará e ela não deverá conseguir captar novos recursos.
“Os gastos inviabilizam o acesso da pequena empresa ao mercado de capitais”, diz Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). “Já para as grandes e médias empresas, o custo-benefício ainda representa um bom negócio.” Segundo pesquisa mensal da Anefac, a taxa média de juros cobrada pelos bancos nos empréstimos à pessoa jurídica estava em 4,19% ao mês em janeiro, o equivalente a 63,65% ao ano.
Para fugir do crédito caro e escasso, empresas de maior porte recorrerem ao mercado de capitais ou ao BNDES, que cobra Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 8,75% ao ano, mais taxa de corretagem, que varia de 0,5% a 2% ao ano. A diferença entre um e outro é que as empresas podem captar recursos no mercado de capitais para financiar projetos que não se enquadram nas liberações do BNDES, como operações de fusão e aquisição de empresas.
A Lupatech, líder na produção e venda de válvulas para indústria de petróleo e gás captou R$ 452,7 milhões e fez algumas aquisições de empresas. Entre elas, estão as argentinas Válvulas Worcester, Esferomatic e Itasa, que juntas totalizaram US$ 64,6 milhões.
De acordo com o diretor de Relações com Investidores da empresa, Thiago Alonso de Oliveira, a Lupatech está em fase de conclusão de negociações para estabelecer parceria com a Cordoaria São Leopoldo, fabricante de cabos para ancoragem de plataformas de petróleo em águas profundas. Se o negócio for concretizado, nascerá uma empresa, que terá investimentos de R$ 80 milhões da Lupatech. Desde que abriu o capital, em maio do ano passado, as ações da Lupatech tiveram valorização de 62%.
MAIS SETE EMPRESAS
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) recorreu ao mercado de capitais para investir na expansão do negócio. A empresa de capital misto, que tem como maior acionista o governo de Minas, captou R$ 813 milhões em 2006, com a distribuição de mais de 30 milhões de ações ordinárias. Suas ações, desde o lançamento, tiveram valorização de 13,6%.
A Totvs, criadora e fornecedora de software de gestão empresarial, captou no mercado R$ 450 milhões. Desse total, destinou R$ 206 milhões para a compra de duas empresas de tecnologia, a RMS Sistemas e a Logocenter.
“As aquisições fazem parte da estratégia de crescimento”, diz o presidente da Totvs, Laercio Consentino. “Queremos fortalecer a posição de liderança.” Hoje a empresa tem mais de 50% desse mercado. Suas ações valorizaram 53% desde março do ano passado, quando abriu o capital.
O mercado de capitais segue em expansão. No mês passado, sete empresas obtiveram registro da Comissão de Valores Mobiliários para emissão de ações, contra cinco em igual período de 2006. Entre elas, Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, Companhia Ferroviária do Nordeste e Tecnisa.
NÚMEROS
R$ 110,2 bilhões foi o total captado pelas empresas no mercado de capitais em 2006
30% de aumento é a expectativa para a expansão da captação de recursos para investimentos neste ano
R$ 69,5 bilhões foram captados no ano passado somente por meio de emissão de debêntures
R$ 14,2 bilhões foram captados em 2006 por meio de oferta de ações
IDH de Cuba : mais uma falácia de Fidel Castro
O IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – foi criado para criar um padrão metodológico para efeito de aferição dos níveis de desenvolvimento humano das nações, tendo em vista que os indicadores baseados em estatísticas econômicas levam a distorções na análise.
Sendo assim, o único regime totalitário da América Latina - Cuba – aparece com frequencia à frente do Brasil e de outros países da América Latina no ranking anual feito pela ONU, tendo por base o IDH. Esse fato leva muitas pessoas a acreditarem que o “socialismo” cubano seria o responsável por tal desempenho. Nada mais falacioso, como veremos a seguir.
O IDH, apesar de ser um indicador “social”, tem a renda percapita como um dos componentes mais importantes. Ocorre, porém, que o valor de renda percapta utilizado para compor o IDH é a calculada pelo método PPP (Paridade do Poder de Compra). E aqui temos alguns graves problemas metodológicos que acabam por inflar o IDH cubano.
Primeiro, não é segredo para ninguém que o PIB Cubano não é calculado com base nos padrões internacionais. Sabe-se que o país de Fidel Castro utiliza metodologias específicas, introduzindo serviços de saúde e educação no PIB, produzindo então sua elevação. Essas variações metodológicas, portanto, maculam e comprometem a comparação do PIB cubano em relação aos demais países.
O segundo aspecto é que a renda percapita de cuba entra no cálculo do IDH com sendo de mais de US$ 6.000,00 (seis mil dólares). Ora, esse número é um completo absurdo, tendo em vista que não se pode usar o método PPP (Paridade do Poder de Compra) numa economia fechada, e com taxa de câmbio arbitrada pelo governo!
Para deixar isso claro, vamos observar que o salário de um médico cubano está na casa de US$ 20,00, o que dá US$ 240,00 / ano! Ora, então como é que podemos falar que o país tem renda percapita de US$ 6.000,00? Se os profissionais mais bem pagos em Cuba recebem anualmente um salário de US$ 240,00, como a renda percapita do país pode ser de US$ 6.000,00, ainda mais em um país que se vangloria de não ter desigualdade social? O fato é que Esse nível de renda percapita, que é o informado pelo governo cubano, não sobre auditoria das instituições internacionais, e é esse aspecto que catapulta, de forma artificial, o IDH de Cuba para a 55ª posição no ranking mundial.
O fato é que a ONU está estudando uma forma de mensurar com mais precisão o valor do PIB cubano, a fim de que os indicadores sociais desse país possam ser considerados e comparados com outros países, entretanto, podemos afirmar que o IDH de Cuba está muito atrás do IDH da maioria dos países da América Latina, pois a renda percapita de Cuba é uma das mais baixas da América Latina.
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